Visitante educado em Chapecó

Diego desembarcando de avião pelo Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
BOTECO DO FLA: por Mercio Querido

Que pena do Corinthians. Folgado lá na frente com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, fazendo umas continhas pra ver com quantas rodadas de antecedência poderá começar a soltar o grito de campeão. Muito sem emoção isso aí. Eh, eh, eh...

Boa é a nossa vida aqui perto da meiúca. AINDA seguros em relação ao povo que está no Z10 e na luta ativa para fugir da degola, mas já deixando de lado aquela certeza absoluta e sem adrenalina de que dados os números envolvidos nas contratações, investimentos e tantos outros ostentados em nossas Campeãs Planilhas Excel, a vaga na fase de grupos da Libertadores seria coisa certa e inquestionável.

Se as torcidas adversárias teimam em dizer que somos um bando de mulambos sem educação, dentro do campo nossos atletas vêm tentando mostrar o contrário. Já são mais de dois meses sem sequer marcar gol fora de casa. Da última vez que o fizemos, preocupados em não promover tamanha indelicadeza na casa “duzotro”, deixamos o Santos virar o jogo pra não pegar mal. Para que conste nos autos, a última vitória fora de casa foi em julho contra o Vasco em São Januário. Como o Eurico faz questão de tratar a gente mal... Parece que o elenco não viu nenhuma deselegância em arrancar os três pontos por lá e desencadear aquela inesquecível onda de violência.

Se por um lado o Rueda ficou assustado com aquilo lá que viu quando chegou, na partida contra o Galo no Independência, e tratou com urgência de arrumar a casinha lá atrás, por outro lado, e futebol é mesmo de vez em quando um caso de cobertor curto, perdemos poder ofensivo lá na frente. De qualquer forma, pra não dizer que tudo está um caos como alguns apressadinhos que (pasmem) já começam a querer a cabeça do colombiano em uma bandeja de prata, já são 10 jogos sem perder em casa.

Como a gente vai tocando o barco com esse equilíbrio que não leva a lugar nenhum, com o perdão da repetição, é exatamente para o lugar mais Lugar Nenhum possível que estamos indo, nos aproximando cada vez mais daquela região que por tanto tempo foi o nosso habitat natural no Brasileirão: a meiúca da tabela.

Do lado de lá... Do lado de lá... A Chape tem duas preocupações. Em regime de urgência, manter a cabeça fora da água enquanto navega no revolto mar que se transformou a segunda página da tabela. A diferença do décimo primeiro para o décimo oitavo é de apenas 4 pontos e a Chape, após os jogos do sábado, está com um perturbador nenhum ponto de distância para a zona de rebaixamento, apesar de estar na posição de número 14. Em um segundo plano vê se aproximar dezembro quando, por conta da tragédia ocorrida em 2016, nada menos que 27 contratos chegam ao fim.

Até que nossa vida não tem sido muito dura lá por aquelas bandas. Estou com preguiça de dar aquela “googlada” marota, mas certamente vencemos mais do que perdemos jogando em Chapecó.

TEORICAMENTE a sequência próxima (depois tem Bahia e São Paulo) seria uma excelente oportunidade de coletar uns pontinhos de forma mais consistente e se aproximar do G4 outra vez. Porém... Seria uma questão de saber explorar o desespero do povo que está ali nessa batalha de foice na parte baixa da tabela. Daí a gente ia precisar contar com coisas como malandragem e equilíbrio psicológico, dois itens que vêm desfalcando o Nosso Flamengo na atual temporada.

Bora torcer.

Isso aqui é Flamengo.

Estou com preguiça de dar aquela “googlada” marota, mas certamente vencemos mais do que perdemos jogando em Chapecó.

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