Lincoln já fez mais que Adriano Imperador no Mundial sub-17

Lincoln, atacante da Seleção Brasileira - Foto: Getty Images / FIFA
GLOBO ESPORTE: No segundo título mundial do Brasil na categoria sub-17, um atacante do Flamengo fazia parte do grupo que venceu a competição na Nova Zelândia, em 1999. Aí vai uma pista: 10 anos depois daquele título com a Seleção, ele seria o protagonista da mais recente conquista do Rubro-Negro no Campeonato Brasileiro.

O número da camisa não era 9 ou 10, era o 18. Adriano era reserva de um time que tinha como atacantes titulares Léo Macaé, do Vasco, e Souza, que anos mais tarde viraria Souza Caveirão, que jogava no Madureira. O time era comandado pelo técnico Carlos César, que treinou um clube pela última vez em 2012, o Bangu.

Um salto de 18 anos no tempo, e a seleção brasileira sub-17 está na Índia em busca do tetracampeonato mundial da categoria (ganhou em 1997, 1999 e 2003). Outra vez um atacante do Flamengo faz parte do grupo. Mas não dá nem para começar a comparar. Passados os três jogos da primeira fase, o desempenho de Lincoln em 2017 é muito superior ao de Adriano em 1999. Naquele ano, o futuro Imperador teve que brigar por posição. Gol? Nada. Passou em branco na competição.

Lincoln já fez três gols em três partidas, contra Espanha, Coreia do Norte e Níger. Tem jogado bem e a cada rodada chama mais atenção na Copa do Mundo. Tornou-se o principal jogador da equipe ao lado do atacante Paulinho, do Vasco. É titular absoluto.

Em 1999, o Brasil caiu num grupo que tinha Austrália, Alemanha e Mali. Nas duas primeiras partidas da primeira fase, Adriano nem saiu do banco de reservas. Só na terceira, contra os alemães, ganhou uma chance aos 40 minutos do segundo tempo. Nas quartas de final, contra o Paraguai, jogou um pouquinho mais: entrou aos 24 da etapa final.

Veio a semifinal contra Gana, e Adriano ganhou o lugar de Souza Caveirão. No empate por 2 a 2 no tempo normal, não marcou. Na cobranças de pênaltis, não bateu. O Brasil venceu por 4 a 2. O Imperador também foi titular na final contra a Austrália. Saiu aos 16 minutos da segunda etapa. Empate sem gols no tempo normal e vitória do Brasil novamente nos pênaltis.

O mundo girou, e Adriano explodiu
Aquela Seleção tinha 18 convocados e alguns nomes fizeram sucesso: o goleiro Diego Cavalieri, o volante Eduardo Costa, os meias Léo Lima e Andrezinho e até mesmo o atacante Souza. Mas nenhum deles chegou perto do nível que Adriano alcançou. Sem dúvidas foi o jogador daquele grupo que mais brilhou. Foi o único que fez sucesso na Europa, que foi titular da Seleção principal por alguns anos e que disputou uma Copa do Mundo. Aos 35 anos, Adriano está sem clube desde 2014. Na semana passada, ele participou do programa "Conversa com Bial", da TV Globo, e disse que tentará uma volta ao futebol a partir de janeiro de 2018.

Assim como o Imperador, Lincoln chegou bem cedo à Gávea
Lincoln não é carioca como Adriano. É natural de Serra, no Espírito Santo. Mas assim como o atacante que virou ídolo do Rubro-Negro, chegou cedo na Gávea para começar a jogar na base do clube. Adriano iniciou a sua relação com o clube aos sete anos. Já Lincoln começou um pouco mais tarde, aos 11.

- Eu quero continuar trabalhando duro, forte, sempre mais. Para poder um dia me tornar um jogador de nível mundial - disse após a vitória por 2 a 0 sobre Níger, quando marcou pela terceira vez.

O camisa 9 já se firmou como um dos grandes expoentes da famosa geração 2000 do Flamengo, que também tem Vinicius Junior. O atacante é motivo de muita atenção no clube. No fim do ano passado, ele assinou primeiro contrato profissional. A multa rescisória é de cerca de R$ 100 milhões.

Ainda falta muito tempo para saber se Lincoln vai repetir, ou superar, o futebol e o sucesso que Adriano fez. O bom é que a gente pode descobrir. Sem pressa.

- Nós conversamos muito sobre isso com a comissão técnica e com os atletas. Conversamos sobre a importância do Mundial para todos nós. Os jogadores estão tendo a oportunidade de viver novas experiências, de jogar contra grandes equipes. Mas não há garantia de nada. Um Mundial desses soma, mas não determina nem o sucesso e nem o fracasso de nenhum desses jogadores - afirmou Carlos Amadeu, comandante da seleção sub-17.

Brasil volta a campo na quarta-feira
De volta a Cochim, a seleção brasileira começa neste domingo a preparação para o jogo contra Honduras, pelas oitavas de final. A partida será na quarta. Se vencer, o Brasil enfrentará o vencedor de Colômbia e Alemanha na fase seguinte.

O camisa 9 já se firmou como um dos grandes expoentes da famosa geração 2000 do Flamengo, que também tem Vinicius Junior.

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