Gol contra de Pará é a síntese da crise nas laterais do Flamengo

Lateral Pará se lamentando pelo Flamengo - Foto: Alexandre Loureiro/Getty Images
CORREIO BRAZILIENSE: Marcos Paulo Lima

O Flamengo precisa colocar na lista de prioridades para a temporada de 2018 a troca de sua frota de laterais. Sim, tem a ver com o gol contra de Pará no empate por 1 x 1 com o Fluminense nesta quinta, mas principalmente com lentidão da diretoria e da comissão técnica para antecipar a resolução dos problemas facilmente perceptíveis.

Como dinheiro não tem faltado ao clube, os perrengues são resolvidos — nem sempre da forma correta — digitando a senha do cartão na maquininha. Houve a época em que a defesa não tinha zagueiros competentes para combater bolas aéreas; que faltava um camisa 10; que a torcida pedia um centroavante; demanda por volantes minimamente qualificados para destituir Marcio Araújo; e por último, a necessidade de um goleiro. Agora, passou da hora de o Flamengo admitir que o elenco tem carências nas duas laterais.

Rodinei, cujos gols decisivos e a simpatia escondem as suas limitações; e Pará, autor do gol contra infantil no Dia das Crianças, são muito fracos. Trauco teve seus minutos de fama na lateral esquerda. Fez até a torcida ensaiar o esquecimento de Jorge, negociado a contragosto dos fãs com o Monaco. A amnésia durou pouco. Renê é um lateral-esquerdo comum, nada mais do que isso. Exigir algo além do que esses quatro podem oferecer é covardia.

Reconheço, não é uma missão fácil achar laterais diferenciados no mercado nacional. Os melhores estão empregados no exterior — Daniel Alves, Danilo, Rafinha, Marcelo, Filipe Luis, Alex Sandro — e são selecionáveis de Tite. Cabe ao Flamengo resistir ao pecado do consumismo e tentar olhar para o que tem em casa antes de buscar soluções caras no país ou lá fora.

Emprestado ao Atletico-GO, Ronaldo já deveria ter sido testado na lateral direita nesta temporada. Quem sabe na próxima. Na falta de especialistas, que tal convencer Éverton a assumir a posição que ele conhece tão bem. Abriria até uma vaga para seu xará no meio.

Zé Ricardo deixou como legado um time viciado em jogar pelas pontas, usando e abusando dos laterais. Isso exige talento. Sobretudo quando o excelente Paolo Guerrero está dentro da área. Há laterais que cruzam, dão passes na medida, e outros que se esforçam para se livrar da bola. Pará, Rodinei, Trauco e Renê cumprem o segundo requisito. Quando acertam alguma coisa é uma festa.

Resolver o perrengue das laterais do Flamengo é mais um desafio para Rodrigo Caetano. Está lá para isso. Passou da hora de ele fazer dispensas, convencer a diretoria a mudar a política de blindar quem insiste em errar, avaliar o mercado e buscar soluções agora ou, no mais tardar, na virada do ano, para evitar o que aconteceu no inadmissível episódio dos goleiros.

O Flamengo caiu na Libertadores, na Primeira Liga e na Copa do Brasil porque, entre outros problemas, faltou camisa 1. A diretoria pretende empurrar com a barriga até quando os problemas da 2 e da 6 até quando? A pergunta é necessária porque os problemas só são remediados quando a ferida fica totalmente aberta. Não há prevenção de risco.

É só buscar na memória… Houve um tempo recente em que o Flamengo era vulnerável nas bolas aéreas. Todo jogo era um gol pelo alto. O gabinete da crise correu atrás de breques. Rapidamente chegaram Réver, Rafael Vaz, Donatti, Rhodolfo…

Logo depois veio a crise da camisa 9. Paolo Guerrero chegou a toque de caixa. Mais tarde, Leandro Damião. Sem contar a promoção de Felipe Vizeu da base para os profissionais.

Aí houve o clamor por um número 10. Num estalar de dedos chegaram logo quatro: Ederson, Diego, Conca e Éverton Ribeiro.

Márcio Araújo era (e ainda é) o problema. O clube foi buscar Cuéllar, Mancuello e Rômulo. Antes, arrancou Arão do Botafogo.

Mal deu tempo de a comissão técnica respirar. Alex Muralha, que havia sido até chamado por Tite para ser um dos reservas de Alisson na Seleção Brasileira, começou a virar um problemão. Lá foi o Flamengo tardiamente atrás do goleiro Diego Alves.

Cabe a um dos clubes mais ricos do país trabalhar desde já com planejamento e prevenção de riscos para a próxima temporada ou continuar pagando caro pra ver o que acontece. Com ou sem gol contra de Pará, os laterais estão em pauta para 2018.

Na falta de especialistas, que tal convencer Éverton a assumir a posição que ele conhece tão bem. Abriria até uma vaga para seu xará no meio.

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