Fernando Mineiro e Marcelinho relembram título inédito do Flamengo

Foto: Divulgação
GARRAFÃO RUBRO-NEGRO: por Rafael Rezende

Na semana em que o Flamengo inicia a disputa da Liga Sul-Americana em Quibdó, na Colômbia, o Garrafão Rubro-Negro volta para o ano de 2009. Na ocasião citada, o time da Gávea venceu essa mesma competição, em terras argentinas, diante do Quimsa, por 98x96.

Comandada por Paulo Chupeta, a equipe enfrentou diversas adversidades no torneio e, mesmo assim, não desanimou. Teve brio para bater de frente e não tomar conhecimento de seus adversários. A conquista, na época inédita, veio de forma invicta. Em um jogo épico. Uma verdadeira batalha. Com dedicação em quadra, entrega, raça e suor. Como Clube de Regatas do Flamengo.

Para contar essa história, nada melhor que ir atrás de quem participou. E foi isso que nossa reportagem fez. Começando por Marcelinho Machado, autor de 41 pontos naquela decisão, e um dos responsáveis pelo triunfo. Vivenciando sua última temporada e de olho no bicampeonato, o ala valorizou a luta em Santiago Del Estero e destacou a relevância do feito.

- As lembranças são as melhores possíveis. Foi uma conquista muito importante para o Flamengo e para aquele time. Lutamos com todas as forças pelo título e conseguimos, dentro da Argentina, o que tínhamos deixado escapar no ano anterior. Eu lembro bem desse dia. Foi um jogo duro, equilibrado e decidido no final. Tive, com a ajuda dos meus companheiros, a capacidade de ter um ótimo desepenho. Essa partida, realmente, vai ficar marcada na minha memória com carinho. Quando me apresentei, em outubro de 2007, uma das vontades que tinha era de ajudar, primeiro em ter a hegemonia nacional e ser a equipe a ser batida, e segundo em ganhar internacionalmente. Culminou com 2009. Foi essencial, inclusive, para afirmar a modalidade dentro do clube - afirmou, em tom saudosista, o camisa 4.

Fernando Mineiro, autor de uma bola de três fundamental no período final, detalhou os bastidores da jogada e reafirmou sua felicidade por ter participado de um momento tão crucial para o crescimento da agremiação na modalidade.

- Sabíamos da importância do título para o Flamengo na época em que voltava ao cenário nacional do basquete. Havíamos vencido o Nacional da CBB e perdido o Sul-Americano para o Regatas Corrientes, porém, essa derrota só nos fortaleceu. E outra chance apareceu. Ser campeão dentro da Argentina, com o ginásio lotado, foi um desafio muito grande. Nosso time tinha uma química inexplicável, e um sempre buscava ajudar o outro. Tanto nos treinos, como no dia a dia. Isso fez a diferença. Todos foram fundamentais. Nós acreditávamos na vitória em qualquer competição, então, fizemos um excelente jogo e levantamos a taça. Com relação ao arremesso de três no fim, foi consequência. Não atuei durante o primeiro tempo, mas estava ligado para contribuir. Entrei no último quarto, peguei um rebote importantíssimo de lance livre e, com o duelo pegando fogo, matei essa bola. A equipe foi à loucura. Só quem já jogou a Liga Sul-Americana, sabe o quanto é difícil. Resumindo, essa conquista foi a mais significativa da minha carreira. E esses dois anos no Mengão foram os mais felizes da minha vida - destrinchou para, depois, enaltecer.

Coloneze, um dos nomes da batalha consagrada, foi além. Citou os obstáculos que o elenco teve pela frente, salientou o caráter dos atletas que conduziram o Fla ao topo, e fez questão de frisar a superação.

- A conquista de 2009 para todos nós, que fizemos parte daquele grupo, não dá para esquecer. Estávamos por um momento delicado, com três ou quatro meses de salários atrasados e, antes dessa viagem, tínhamos feito um jogo no Espírito Santo pelo NBB, com transmissão, onde usamos uma camisa pedindo respeito. Fomos para a final confiantes na nossa capacidade, mas também com esse peso. Acreditávamos que, se fôssemos campeões, iríamos ajudar o clube a sair da situação. No ano anterior, jogamos uma decisão em outro formato, estilo playoff, e perdemos por 3-2. Ficamos com o vice. Vencemos em casa, no Maracanãzinho, mas fora, não. Era difícil superar a pressão na arbitragem em confrontos assim, além da qualidade do adversário. Chegamos para o quandrangular e ganhamos as duas primeiras partidas. A última, contra o Quimsa, foi memorável. Conseguimos superar as adversidades, esquecemos dos problemas e focamos. Fizemos o que sabíamos. O Marcelinho viveu uma noite especial e teve atuação brilhante. Ele estava tendo uma temporada incrível, tinha a nossa confiança e liderou. Foi sensacional. Lembro dos torcedores do Flamengo que foram lá acompanhar e entraram no vestiário conosco assim que acabou. Aquela comemoração foi inesquecível - relembrou, com entusiasmo.

Apelidado de 'Pé de Deus', por conta de uma jogada decisiva, o ex-pivô explicou que não sabia da repercussão até desembarcar no Rio de Janeiro. E, ao encerrar, evidenciou que o reconhecimento ainda existe atualmente.

- Foi um momento bem inusitado, pois era crucial no jogo e estávamos um ponto na frente. A posse era deles e, se convertessem, restariam poucos segundos para acabar. Seria impossível reverter. Eles fizeram um pick and roll e o jogador que estava com a bola tentou passar entre dois. Estiquei meu pé claramente, para não tomarmos uma infiltração que resultaria na nossa derrota, e o juiz não marcou nada. A jogada seguiu, me joguei no chão e marcaram bola presa. Aí o Duda saiu, sofreu falta e converteu um lance livre. Abrimos uma vantagem de dois, e quando ele errou o outro, peguei o rebote ofensivo e o cronômetro estourou. Nunca vou deixar de lembrar disso. Ao voltarmos para o Brasil, tivemos uma recepção calorosa no aeroporto e, para minha surpresa, todos os torcedores estavam exaltando e me chamando de 'Pé de Deus', tirando foto. A partir dali, o apelido ficou e fizeram até faixa. É uma memória que guardo com carinho. Até hoje, nas ruas, alguns me abordam e lembram dessa época - finalizou.

Com dedicação em quadra, entrega, raça e suor. Como Clube de Regatas do Flamengo.

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