A grande ilusão e tortura chamada Flamengo

Everton, do Flamengo, se lamentando - Foto: Alexandre Loureiro/Getty Images
ESPN FC: João Luis Jr.

Talvez já tenha acontecido com você. É aquela garota que você está afim e que nunca responde as suas mensagens, mas curte todas as suas fotos. É aquele cara que se você chama nunca pode sair, mas quando a galera sai sempre pergunta por você. É aquela pessoa que nunca te diz sim, mas ao mesmo tempo nunca te confirma que não, mantendo apenas a aura mínima necessária de possibilidade, expectativa e interesse para que você não consiga abandonar definitivamente aquela ideia e fique preso ali, ansioso, tenso, se perguntando o que pode ou não acontecer.

Essa é a tortura do Flamengo 2017. Um time confuso, cheio de falhas, tão ansioso para perder que, quando o adversário não marca, decide ele mesmo fazer o gol em sua própria meta. Mas ao mesmo tempo uma equipe com alguns lampejos de qualidade, alguns espasmos de capacidade, alguns breves minutos do futebol que merecemos, que impede que você apenas deixe o ano de lado, aceite a campanha menos que medíocre dessa temporada, comece a cumprimentar as pessoas como se já fosse 2018 pra tentar fazer a dor passar mais rápido.

Nesta quinta-feira, a escalação, prejudicada pelos desfalques das Eliminatórias e também por algumas lesões, já não parecia das mais animadoras. Um Pará improvisado na lateral esquerda nos lembrava que Renê realmente não anda em alta com o professor Rueda, assim como Paquetá titular deixava claro que Vizeu é outro que não vem nada bem. O meio com Rômulo, longe do time durante muito tempo, e Márcio Araújo, nunca longe do time por tempo o bastante, também não dava margem para grandes empolgações.

O que se viu em campo fazia jus a isso. Um time sem saída de bola, sem articulação de jogadas, em que todos se confundiam e estranhavam num nível que não parecia nem falta de entrosamento, mas sim que estávamos testemunhando um terrível primeiro encontro presencial coletivo de pessoas que se conheceram online no Badoo. A sensação era de que o Flamengo poderia jogar durante 100 anos sem correr o risco de fazer um gol, presunção essa que se mostrou excessivamente otimista quando a equipe abriu o placar com um gol contra.

E quando você se encontra perdendo para um rival ameaçado pelo rebaixamento, caminhando para uma derrota que, se confirmada, representaria a segunda seguida no Brasileirão para times que na semana de suas partidas contra o Flamengo haviam sido pressionados em seus treinamentos por suas torcidas, de tão terríveis suas campanhas, é compreensível se desesperar, ninguém pode te criticar se você desistir, a operadora até deve tirar a taxa de fidelidade se você quiser cancelar os canais de esporte da TV a cabo.

Mas aí temos a categoria de Juan, que segue um monstro na zaga, ao lado de Réver, que não apenas fez o gol do empate, como colocou uma bola na trave. Temos Éverton Ribeiro, que, mesmo nas piores atuações, sempre te faz lembrar que ali está um cara que sabe jogar bola. Temos Trauco, que voltou de viagem com muito menos jet lag do que muitos jogadores que ficaram o tempo todo no Rio.

E você começa a pensar que esse Flamengo tem problemas, claro, mas também tem potencial. Talvez organizando melhor as peças, talvez com Arão mais acordado no jogo, quem sabe se Guerrero e Berrío assistirem alguns breves documentários sobre onde exatamente eles precisam tentar colocar a bola para que conte como gol, talvez a culpa seja desse esquema que não funciona mais. Que na próxima partida pode ser diferente, que o técnico viu os problemas e vai resolver, que não existe motivo para tanto desespero, que ainda temos uma Sulamericana e uma reta final de Campeonato Brasileiro que, claro, não vão consertar o ano, mas podem evitar que ele seja o completo fracasso que parece agora.

Continuamos assim. Com um time que não evolui, que não cresce, que segue desperdiçando pontos importantes e colocando em risco qualquer oportunidade de salvar 2017. Mas que de vez em quando, em alguns momentos, quase que de relance, nos faz achar que talvez, quem sabe, algo ainda possa acontecer.

E a verdade é que muito em breve esse Flamengo vai precisar responder, de uma vez por todas, se ainda existe alguma possibilidade de um mínimo de sucesso nessa temporada, ou se, tal qual Diego Alves no gol de Pará, tudo que vai nos restar é o olhar confuso e atônito diante de um desastre completamente não justificado causado em grande parte por pessoas que talvez nem devessem estar ali.

Márcio Araújo, nunca longe do time por tempo o bastante, também não dava margem para grandes empolgações.

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