Veja três erros e três acertos de Rueda em 10 jogos pelo Flamengo

Berrio e Cuéllar no Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
GLOBO ESPORTE: "Todo mundo erra sempre. Todo mundo vai errar!", diz a letra da tradicional música nas vozes do Grupo Revelação. O técnico colombiano Reinaldo Rueda não seria diferente no Flamengo. Mas o correto mesmo é dizer: o "profe" tem acertos muito mais marcantes do que os erros nos 10 jogos à frente do Flamengo. Acertou a defesa, ajudou a levar a equipe à final da Copa do Brasil...

Os erros são menos representativos do que os acertos, e até subjetivos. Contra o Botafogo, por exemplo, só três dias depois da primeira partida da decisão da Copa do Brasil, o Flamengo entrou em campo com apenas um titular da equipe que tinha empatado em 1 a 1 com o Cruzeiro (Rodinei) e perdeu por 2 a 0. Os jogadores, é claro, estavam desgastados, mas Rueda não escapou das críticas.

O técnico chegou ao Flamengo no dia 14 de agosto. Desde então, são 10 jogos (cinco vitórias, quatro empates e uma derrota). Abaixo, listamos o que consideramos ser os (vários) acertos e os (poucos) erros do colombiano à frente do Flamengo:

ACERTOS

Paquetá de centroavante. Quem diria, hein?

O primeiro teste foi na vitória por 2 a 0 sobre o Atlético-GO, só o segundo jogo de Rueda à frente do Flamengo. Sem Guerrero (lesionado) e Vizeu (com dores musculares), o técnico optou por Paquetá. Sem tanta presença de área, mas mais movimentação, o meia deu trabalho para a defesa adversária e deu até assistência para gol de Vinicius Junior em "lance de Guerrero". Ganhou no alto e tabelou com Diego antes de deixar a joia livre.

Depois do "teste", Paquetá também jogou assim na primeira partida da decisão da Copa do Brasil. Guerrero suspenso e Vizeu machucado deram a oportunidade ao garoto, que fez o gol do Flamengo no empate em 1 a 1. Diante da Chapecoense, nesta quarta-feira, entrou novamente nesta posição, no lugar do camisa 9, no segundo tempo, e marcou. Pontos para a ousadia de Rueda.

Defesa mais forte

Se na reta final de Zé Ricardo os muitos gols sofridos viraram dor de cabeça para o Flamengo, a melhora do sistema defensivo aliviou a pressão. Desde quando Rueda assumiu, o Rubro-Negro levou apenas quatro gols. A efeito de comparação, nos últimos 10 confrontos sob comando de Zé Ricardo o time tomou 17 gols.

Quando chegou, Rueda optou por "plantar" mais os laterais na defesa e recuar um pouco mais o time, mesmo sem abdicar do ataque. O resultado veio logo, com quatro jogos sem sofrer gols. O primeiro foi contra o Paraná, pela primeira liga.

Cuéllar titular

A má fase do Flamengo não passava por só uma ou outra peça, mas algumas mudanças fizeram Rueda mudar a cara da equipe. Uma delas foi a sequência a Cuéllar. O volante, no lugar de Márcio Araújo, melhorou a saída de bola e a qualidade nos desarmes. A defesa rubro-negra passou a ser menos exigida com uma proteção mais eficiente.

Juan com "facilidades"

A mudança no sistema defensivo não ajudou apenas o Flamengo, que passou a sofrer menos gols. O zagueiro Juan, aos 38 anos, passou a ser menos exigido e, consequentemente, se destacar mais. A experiência e toda a qualidade colocaram o experiente defensor novamente como referência na cobertura e nos cortes precisos.

ERROS

Time misto (quase todo reserva) contra o Botafogo

O desgaste depois da primeira partida da final contra o Cruzeiro foi grande. O empate em 1 a 1 foi na quinta-feira, no Maracanã, e já no domingo teria clássico contra o Botafogo. Apesar de o elenco não ter viajado, o que aumentaria o cansaço, Rueda decidiu poupar quase todos que tinham começado jogando contra os mineiros (só Rodinei ficou na equipe).

Em campo, o que se viu foi um Flamengo sofrendo muito pela falta de entrosamento. Os jogadores, que costumam só treinar juntos e provavelmente nunca exatamente daquele jeito - com Guerrero (suspenso da primeira final) de titular -, não conseguiam construir muitas jogadas. O resultado: 2 a 0 para o Botafogo. E se não tivesse poupado? Seria diferente?

Márcio Araújo no lugar de Berrío contra o Botafogo

Logo em sua estreia, contra o Botafogo, só dois dias depois de ser apresentado, Rueda mexeu mal no segundo tempo: tirou Berrío para colocar Márcio Araújo. Assim, Arão, até então no meio com Cuéllar, foi para a ponta direita - como em algumas outras ocasiões. O time, porém, perdeu velocidade. Logo, Vinicius Junior entrou no lugar de Everton para tentar devolvê-la.

O problema é que, para azar de Rueda, Muralha foi expulso minutos depois, e o garoto foi sacado. Vale destacar: foi apenas o primeiro jogo do treinador, que estava no Brasil há apenas três dias, e o 0 a 0 no jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil foi um bom resultado, apesar da mudança ruim.

Renê contra o Atlético-GO

Antes do segundo jogo da semifinal da Copa do Brasil, Rueda decidiu poupar diversos titulares contra o Atlético-GO, na Ilha do Urubu. No segundo tempo, porém, colocou Renê. O lateral-esquerdo acabou se lesionando sozinho e, desde então, não atuou mais. Ali, poderia ter evitado o desfalque, já que tinha decidido não utilizar os principais jogadores.

Cuéllar no banco contra o Cruzeiro

Convocado para a seleção colombiana, Cuéllar perdeu a preparação do Flamengo para a primeira final da Copa do Brasil, contra o Cruzeiro, e, por opção de Rueda, ficou no banco. No segundo tempo do empate em 1 a 1, o treinador decidiu colocá-lo em campo e tirou Márcio Araújo, queimando uma alteração. Depois da partida, o volante disse que não estava desgastado e que não jogou por opção do "profe".

Quando chegou, Rueda optou por "plantar" mais os laterais na defesa e recuar um pouco mais o time, mesmo sem abdicar do ataque.

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