Um Flamengo ativo e que sobrou diante da Chapecoense

Lucas Paquetá comemorando gol em Flamengo x Chapecoense - Foto: Gilvan de Souza
CHUTE CRUZADO: Pedro Henrique Torre

Cuellar arriscou 69 passes contra a Chapecoense. Errou três. Foi para a esquerda. Para a direita. Avançou. E recuou para iniciar a maioria das jogadas ao receber a bola dos zagueiros. Fez gol. Foi o melhor em campo de olhos fechados. No oxigenar do volante, o Flamengo bateu a Chapecoense por 4 a 0 com ampla facilidade na Ilha do Urubu, pela Copa Sul-Americana. E guerreou, como pediu Reinaldo Rueda há uma semana. Não no sentido literal. Foi um time concentrado, ativo em todas as disputas. E sobrou em campo.

Caso Everton, com um estiramento na panturrilha direita, não estivesse lesionado talvez fosse a única dúvida que Rueda teria para escalar o seu time ideal. Sem o 22, Everton Ribeiro entrou na esquerda. Trauco assumiu a lateral, Pará foi para o lado direito. Diego Alves no gol. Um time no 4-2-3-1, mas com um detalhe: um jogo dedicado aos volantes. Principalmente Cuellar.

A atuação do colombiano diante da Chapecoense torna ainda mais injustificável a insistência de Zé Ricardo por mais de um ano com Márcio Araújo. Não, não se trata de implicância. Observe o camisa 26 contra a Chapecoense. Iniciava o jogo e buscava quase sempre passes verticais. Com sete minutos, apareceu na área para aproveitar o rebote dado por Jandrei, que evitou o drible de Guerrero. No lance, os jogadores da Chape reclamaram de impedimento. Mas o lançamento de Trauco encontrou antes a cabeça de Douglas Grolli. Depois os pés do atacante. 1 a 0.

O jogo ficou mais fácil. A Chapecoense deveria sair mais ao ataque, desfazendo o 4-4-2 bem fechado quando defendia – o que acontecia praticamente durante toda a partida, embora houvesse falhas de marcação. Mas só Penilla, tentando cair atrás dos volantes rubro-negros e aproximar de Wellington Paulista, levava algum tipo de perigo com velocidade e dribles. Como jogava só, invariavelmente parava no marcador da sobra. O Flamengo dominava amplamente o jogo. Pois Cuellar avançava com a bola e procurava a velocidade de Berrío pela direita, nas costas de Diego Renan. Ou a infiltração de Willian Arão, como uma flecha no meio. Na prática, tudo funcionava com o time mais ligado, atento.

Guerrero fazia bem o pivô, matando bem os conhecidos lançamentos de Trauco. Everton Ribeiro caía para dentro e Diego recuava alguns passos, buscando mais o lado esquerdo. O camisa 35 – desta vez com o 10 às costas – ainda deve. Se não comprometeu, esteve longe de ser brilhante. Mas a troca de posição com Everton Ribeiro não se tratava de desorganização. Desta vez, o time mostrava uma sincronia pouco vista recentemente. Nessa movimentação, o camisa 7 lançou Guerrero na área pela esquerda e o cruzamento rasteiro encontrou quem na cara do gol? De novo um volante, agora Arão. O toque preciso colocou 2 a 0 no placar e praticamente selou a classificação.

Mas nem assim o Flamengo arrefeceu, como em jogos anteriores. Continuou a trocar bola, a antecipar a marcação no meio com Cuellar e Arão, cada vez mais entrosados na sincronia do vaivém a ataque. No registro da Chape, apenas um chute cruzado de Penilla pela esquerda, bem defendido por Diego Alves. Pouco.

O segundo tempo trouxe uma nova escapada de Penilla pela esquerda, outro chute, outra defesa de Diego Alves. Mas um Flamengo ainda dominante. A Chape tentou esboçar alguma reação ao trocar Moisés Ribeiro por Luiz Antônio. Talvez uma tentativa de aproveitar o espaço às costas de Trauco. Aí um registro interessante: Rueda recolocou o peruano na lateral esquerda e evitou os avanços caindo para o meio com enorme frequência. Embora a Chape tenha sido pouca incisiva pelo setor, Trauco foi mais seguro defensivamente. Uma aliviada na imagem de um bom jogador que por poucas más atuações já começava a ser visto com desconfiança. E uma ajuda ao time.

Pois Juan, zagueiro pelo setor esquerdo, não deve se preocupar tanto em cobrir Trauco ou perder na corrida para um adversário veloz. Com o time sem tantos espaços, o camisa 4 sobra com a técnica. Não se cansou de antecipar lances no meio com classe. E mostrou a velha facilidade para aparecer no ataque e aproveitar o rebote da cabeçada de Guerrero em falta cobrada por Pará para tocar para o gol. 3 a 0. Com a Chapecoense entregue, Rueda passou a fazer as suas experiências. Sacou Berrío para pôr Gabriel na direita. Tirou Diego para pôr Vinicius Junior na esquerda, centralizando Everton Ribeiro. E poupou Guerrero para dar chance a Paquetá. Funcionou bem.

Pois a Chape manteve o 4-4-2 mesmo com as trocas, com Alan Ruschel e Wellington Paulista à frente e cedeu campo. A noite era boa para os rubro-negros. Cuellar avançava, driblava um, dois e se apresentava na área. Arão então recuava para marcar posição pelo meio. Em uma dessas, achou Everton Ribeiro, que de direita lançou Paquetá na área. O garoto bateu cruzado para fechar o 4 a 0 no placar, dar números finais à classificação e fechar a melhor atuação do Flamengo desde o jogo de ida pelas quartas da Copa do Brasil contra o Santos, uma vitória de 2 a 0. Com um ponto em comum: uma atuação soberba de Cuellar.

Atualmente, o volante claramente tem mais confiança de que estará em campo em quase todos os jogos. E não com poucos minutos. Para azar de Zé Ricardo, a ideia chegou tarde demais em sua passagem no comando do time. E nem era tão sólida. Rueda aproveitou os bons resquícios e passou a montar seu time de acordo com a ocasião. Quando faltou atitude, cobrou o time publicamente, ainda que em tom polido. É uma das funções de um técnico. Com quase 60% de posse de bola, de acordo com o site Footstats, o Flamengo atropelou a Chapecoense e tapou buracos. Diego Alves estava no gol. Everton Ribeiro e Diego jogaram juntos. Trauco novamente na lateral. E, principalmente, os volantes em noite soberba. Aos poucos, Rueda ajeita um trabalho que se esfarelava. É preciso sequência. Mais do que no presente, talvez já de olho até em um 2018 muito mais eficiente. E bonito.

Na prática, tudo funcionava com o time mais ligado, atento.

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