Kleber Leite questiona falta de comando no Futebol do Flamengo

Rodrigo Caetano na apresentação de Rueda no Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
KLEBER LEITE: Ontem, após o blog ir para o ar, recebi gentil mensagem do diretor de futebol do Flamengo, Rodrigo Caetano, por mim citado no último post, quando a ele fiz algumas cobranças. Respondi no mesmo tom gentil e, gostaria de trazer para o blog o tema que mais me aflige no futebol do Flamengo, qual seja a indefinição de comando.

Após a saída de Flávio Godinho da vice-presidência de futebol, o cargo passou a ser acumulado pelo presidente Eduardo Bandeira de Mello que, convenhamos, tem todo um clube para administrar, e o faz com rara competência, além das injunções políticas que fazem a presença do presidente do clube ser obrigatória, diminuindo obviamente o seu tempo para o futebol.

Neste momento, imagino eu, o presidente e seus companheiros de diretoria devem ter imaginado que seria sopa no mel implantar o regime composto apenas por profissionais, tese defendida por boa parte de companheiros de imprensa, e sobre a qual sou totalmente contrário. Como não sou dono da verdade e, tenho apenas uma opinião, admito a possibilidade, e respeito quem assim pense. O problema é que, seja qual for o regime, o processo hierárquico tem que ser muito claro e, o “presidente do futebol” tem que ter autonomia e liberdade para desenvolver o seu trabalho.

Se este é o modelo para o futebol abraçado pelo Conselho Diretor, Rodrigo Caetano é o “presidente” do futebol do Flamengo e, como não poderia deixar de ser, a pessoa que tem a obrigação de planejar, executar, estar atento, estabelecer metas e, cobrar quando necessário for.

Para ninguém ser traído pela memória, não vamos retroceder no tempo, nem falar em contratações, se foram boas ou ruins, até porque, há um antes e um depois, passando por modelos distintos. Vamos nos ater ao momento atual, fresquinho que está na cabeça de todos.

Lanço aqui alguns questionamentos, na tentativa de que possa ficar claro que, nada no futebol do clube está claro.

Quem decidiu pela demissão de Zé Ricardo?

Quem foi o “criador” de Reinaldo Rueda? Este tema foi decidido por quem? Isto foi debatido?

O fato de se contratar um técnico estrangeiro, sem quase nenhum conhecimento sobre o elenco do Flamengo e seus adversários, na fase aguda de uma temporada, pode ser considerada uma decisão de alto risco?

Quem escalou o time do Flamengo para o jogo contra o Botafogo? Mesmo que tenha sido uma decisão isolada do treinador, será que não cabia ao responsável pelo futebol do Flamengo lembrar ao ilustre profissional colombiano, que ninguém pode garantir que o Flamengo será campeão da Copa do Brasil e da Sul-Americana, e que por este simples motivo é importantíssimo ficar, pelo menos, entre os quatro primeiros colocados no Campeonato Brasileiro?

Talvez todos tenham esquecido, mas será que não faltou lembrar também que Corinthians e Grêmio perderam seus jogos, e que o Palmeiras empatou? Uma vitória sobre o Botafogo deixaria o Flamengo em quarto lugar…

Como é que um treinador declara em alto e bom som que, a principio, Diego e Éverton Ribeiro não devem jogar juntos? Que negócio é esse? E o enorme esforço feito pela diretoria para contratar Éverton Ribeiro, o maior investimento do Flamengo? Como é que surge uma possibilidade estapafúrdia destas e vai ganhando corpo, virando verdade… Quem chega no treinador e o chama para a realidade?

Como é que pode o Flamengo contratar dois laterais esquerdos para a temporada, sendo um deles titular absoluto da seleção peruana e, isto ser esquecido, como se num time de várzea, não havendo ninguém para a posição, se recorre a um jogador de outra posição? Quem conversa com o treinador? Quem argumenta com o treinador?

Não estou aqui para imputar culpa a quem quer que seja. Considero Rodrigo Caetano um bom profissional, porém, sempre é bom lembrar que cada um de nós tem o seu limite de competência. Pode ser isto, como também pode ter havido um grave erro de comunicação, e Rodrigo Caetano, embora competente e capaz de voos mais altos e ousados, não se veja, pelo fato de ninguém ter comunicado a ele, como sendo, num regime 100% profissional, de fato e de direito, o “presidente do futebol”.

Estou apenas querendo entender o que acontece no futebol do Flamengo, onde mais do que claro está que a orquestra está desafinada, e ninguém sabe quem é ou, se há um maestro capaz de fazer a orquestra tocar, sem desafinar…

Como é que um treinador declara em alto e bom som que, a principio, Diego e Éverton Ribeiro não devem jogar juntos?

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