Flamengo: Três pontos carimbados

Guerrero comemorando gol pelo Flamengo (Wallpaper para celular) - Foto: Buda Mendes/Getty Images
BOTECO DO FLA: por Mercio Querido

Dar expediente na repartição em pleno domingo de sol? Espeto. Essa é de doer.

A frase acima parece ter sido tirada (guardadas as devidas proporções de talento) da boca de um funcionário público de texto do Nélson Rodrigues. Aquele burocrata bem típico de tempos idos, que tinha que estar lá na repartição dia após dia, mesmo se não produzisse nada de útil. A obrigação era ir até lá nem que fosse para deixar o paletó na cadeira, marcar o ponto e a presença física, e dar uma meia dúzia de carimbadas para justificar o ganho salarial.

Esse foi o Flamengo de ontem. E já que teve que marcar presença no escritório, apesar da clientela presente no dia ser daquelas de movimento fraco, o bom segredo era dar as tais carimbadas logo nos primeiros momentos do dia-jogo, depois ficar enrolando até encerrar o expediente, pegar o paletó-manto no encosto da cadeira e ir curtir a vida.

E chegou com gana de trabalho de vendedor de porta em porta. Pressionou o Sport nos minutos iniciais com vontade de trabalhador de lanchonete que quer ver a foto no final do ciclo de avaliação abaixo da inscrição “funcionário do mês”. Isso tudo apesar de mais um pequeno punhado de escolhas questionáveis na distribuição de tarefas pelo chefe da repartição, Rueda.

Gol logo no começo, Guerrero tratou de carimbar cedo as primeiras folhas daquele monte de papelada que estava em cima da mesa. Logo depois foi hora de refrescar um pouco e dar uma pequena enrolada até a hora do almoço-intervalo. Até se tentou produzir mais. Porém, diante da resistência do adversário, todo mundo achou melhor conter o ímpeto. O calor era incômodo e, além do mais, é necessário estar inteiro para a festa da repartição no dia 27.

Na volta do almoço é que baixou aquele soninho típico da sesta da tarde. Já tinha folha carimbada e aparentemente o trabalho do dia já estava feito. Quando o Sport perdeu um jogador, aí mesmo que tudo ficou com cara de expediente cumprido com louvor e hora de pensar na saída. O time de Recife até se animou e entre uma pancada ou outra no Diego, que parecia ser a tarefa do dia, andou ameaçando empatar a partida diante dos olhares sonolentos dos nossos funcionários.

Empregado mais vigiado do dia, após graves faltas administrativas e ausências recentes, Muralha soube desviar os holofotes do chefe da seção ao mostrar certa segurança em atividades não muito complicadas que lhe foram solicitadas.

Ufa... Fim de expediente... Pra adiantar o trabalho da manhã-jogo seguinte, ER deu mais uma carimbada quando já estavam a apagar as luzes do escritório. Mesmo porque o mesmo não estará no próximo expediente contra a Chapecoense e anda doido pra mostrar serviço e tentar uma promoção para o Departamento do Doutor Tite em 2018.

Hora de relaxar e os dois chefes de seção do expediente de domingo sentam pra papear. Doutor Rueda elogia daqui: “jogo com altíssima intensidade”; “(o Sport) é equipe que joga muito bem. Muito bem estruturada e trabalham triangulações importantes”. Doutor Luxemburgo elogia de lá: “O time do Flamengo é de extrema qualidade”; “O Flamengo é um dos melhores times do Brasil”. Formulário de avaliação da seção devidamente preenchido e encaminhado. Dia ganho.

O que me mata é esse expediente de quarta à noite. Fazer o que?

Bora torcer.

Isso aqui é Flamengo.

Isso tudo apesar de mais um pequeno punhado de escolhas questionáveis na distribuição de tarefas pelo chefe da repartição, Rueda.

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