Flamengo precisa pensar além do Rio de Janeiro

Jogadores do Flamengo na final contra o Cruzeiro - Erwin Oliveira/Gazeta Press
ESPN FC: O canto “Acima de Tudo Rubro-Negro” deveria ser abolido dos estádios. Primeiramente, pelo erro de coerência: “Amor maior não tem igual”. Se há amor maior, não é igual. Se há amor igual, não é maior. Mas, principalmente, por essa história de “o Mundial vocês nunca vão ter”.

A gente canta isso contra todo mundo. Soa pra lá de patético diante de São Paulo e Santos. Não faz sentido algum frente a Corinthians, Grêmio e Internacional. Faz diante dos rivais cariocas. E aí mora um dos piores aspectos do Flamengo nos últimos quase 20 anos: Passamos a nos importar somente com o Rio de Janeiro.

Em confrontos diretos contra os grandes brasileiros, levamos vantagem sobre apenas 4: Atlético-MG e os 3 cariocas. Mais ano, menos ano, o Cruzeiro poderá conquistar o Mundial. Atlético-MG, Palmeiras... Continuaremos cantando até que um outro clube do Rio de Janeiro chegue ao topo do planeta.

E ainda que os demais brasileiros esbarrem nos milionários europeus, continuarão reinando por aqui. O rubro-negro de 30 anos já viu Corinthians, São Paulo e Internacional campeões do mundo. Santos, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético-MG, Grêmio e Vasco conquistando da América. E o Flamengo sequer passou das quartas de final da Libertadores.

Torneio Rio-São Paulo à parte, temos mais títulos de todos os campeonatos que Botafogo, Fluminense e Vasco. Eles colecionam rebaixamentos, nós nunca caímos. Além de tudo, nossa torcida é muito maior. “Oooh... Melhor do Rio!”

Canto mais abominável ainda, entoado pela Nação diversas vezes (até para comemorar uma 12ª posição no Campeonato Brasileiro!). Conforme celebramos rebaixamentos de rivais cariocas, paulistas, gaúchos e mineiros aumentam as galerias de troféus. O Cruzeiro acordou com um a mais na estante. “Ao menos”, com isso, o Flamengo entrou no agora G-7. “Iiih, Libertadores qualquer dia tamo aííí...”.

Para sermos eliminados na fase prévia ou então na de grupos. Para culparmos, de novo, o azar. A bola que não entrou, a improvável combinação de resultados. Não importa se meia dúzia de jogadores nossos pague a folha salarial dos outros 3 elencos da chave. Se dermos novo vexame, não haverá problema. A vantagem sobre Vasco, Fluminense e Botafogo ainda será grande.

Assim a gente perde mais um ano sem se abater. A Copa do Brasil foi para as mãos de um time que jogou com o regulamento embaixo do braço. Na ausência do gol qualificado, igualdade no placar agregado dava ao Cruzeiro a “vantagem” de levar a decisão para os pênaltis.

Acreditamos, torcemos sempre. Mas o intervalo entre o apito final e a primeira cobrança foi o suficiente para o rubro-negro assimilar o vice-campeonato. Surreal. Junta à esperança da vitória, a certeza da derrota. O Flamengo, que não perdia uma disputa de pênaltis há 13 anos, saiu derrotado das 3 que jogou em 2017. Sem ter sequer um disparo adversário defendido.

A culpa não é de Alex Muralha, tampouco de Thiago, que falhou no jogo de ida. Eles estão lá fazendo o que sabem. Eduardo Bandeira de Mello e seu departamento de futebol que avaliaram que os dois goleiros seriam o necessário para a temporada.

Eduardo Bandeira de Mello e seu departamento de futebol que não cobram do time. Do "supercentroavante" Guerrero, que só marca no Estadual, desaparece em jogo grande, soma mais cartões que gols, bate mal pênalti. Do craque Diego, que não solta a bola nem sob tortura, erra passes, não decide, bate pênalti pior ainda. “Ídolo” que, aliás, outro dia elogiou o ano do Flamengo:

“Se analisar a temporada até agora, não alcançamos um grande objetivo, que era classificar na Libertadores, mas fomos campeões de forma invicta no Carioca. As equipes cariocas têm mostrado, umas mais e outras menos, que são competitivas e difíceis. Não perdemos para nenhuma delas. Fomos campeões de forma contundente, jogamos em estádios e ambientes diferentes.”

Parece que Diego entendeu como funciona o Flamengo hoje: o importante é se manter acima dos rivais. Enquanto não cairmos, estará tudo bem. Olhem só Botafogo, Fluminense e Vasco... Enquanto isso, taças são distribuídas por São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

 “O Flamengo de agora tá bom, pô. Antes era todo ano brigando pra não cair”. Argumento comum, corriqueiro, que ilustra a pequenez do atual pensamento rubro-negro. O gigante Flamengo, vencedor, clube mais querido do país, toma por parâmetro o rebaixamento.

Se “o Mundial vocês nunca vão ter” é impossível saber. Tão quão se nós o teremos de novo. Certo é que o de 1981 é do Flamengo. E a Copa do Brasil 2017 é do Cruzeiro.

Se “o Mundial vocês nunca vão ter” é impossível saber. Tão quão se nós o teremos de novo. Certo é que o de 1981 é do Flamengo.

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