Quando Rueda deve ser cobrado no Flamengo?

Rueda, treinador do Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
BLOG DO PRAETZEL: Fábio Carille se mostrou a favor da vinda de técnicos estrangeiros para o Brasil, mas questionou por que eles precisam de tempo para trabalhar e a mesma tolerância não é praticada com os profissionais daqui? É um bom debate. Acho que treinadores de fora têm mais dificuldades de adaptação ao nosso calendário e encontram outra cultura de trabalho, assim como ocorreria se algum brasileiro fosse para o exterior.

Em 2005, Vanderlei Luxemburgo foi para o Real Madrid e foi saudado por todos. Ficou um ano. Luiz Felipe Scolari trabalhou no Chelsea, em 2009, mas acabou dispensado, sem completar uma temporada. Os dois foram reféns de resultados, mesmo com currículos consagrados.

Para mim, é preciso dar tempo a todos os treinadores. Sou adepto da continuidade e entendo que as cobranças devam começar, após seis meses de trabalho. Com 180 dias, é possível apresentar um time definido, ideias de jogo e sistemas táticos. Óbvio que se a equipe for última colocada de um torneio ou estiver muito ameaçada de rebaixamento, uma mudança pode ocorrer. E isso vale em qualquer país. Em dezembro de 2015, José Mourinho caiu no Chelsea, porque estava nessa situação, mesmo tendo sido campeão, seis meses antes.

Reinaldo Rueda chegou ao Flamengo e estreou num mata-mata diante do Botafogo, numa semifinal de Copa do Brasil. É campeão da Libertadores da América e participou de duas Copas do Mundo, dirigindo Honduras e Equador. Tem experiência e qualidade, mas sua vinda gerou críticas e comparações com outros estrangeiros, que tiveram passagens rápidas pelo Brasil. Evidente que ele será cobrado, mas isso deve ser feito, a partir de 2018. Pegou o Fla mais para o fim do ano, em meio a três campeonatos importantes. Pode ser campeão? Pode, mesmo que isso seja bem difícil, com pouco tempo de trabalho.

Ninguém é milagreiro e Rueda sabe disso. A cultura imediatista precisa ser evitada e cabe a nós, jornalistas, também incentivar mais tolerância com nossos compatriotas e com quem vem de fora. E tapar os ouvidos para quem é definitivo com frases como ''estrangeiros não ajudam, não sabem nada e não deixam legado nenhum''. Pura xenofobia.

A cultura imediatista precisa ser evitada e cabe a nós, jornalistas, também incentivar mais tolerância com nossos compatriotas e com quem vem de fora.

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