Primeira mudança de Rueda foi tornar Flamengo mais defensivo

Juan, Lucas Paquetá e Everton comemorando classificação do Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
RODRIGO MATTOS: Quem assistiu ao futebol envolvente do Atlético Nacional poderia acreditar que o Flamengo de Reinaldo Rueda teria características ofensivas extras. Mas a primeira medida do treinador colombiano foi tornar o time mais defensivo, trocando o domínio constante pela segurança. É o que explicam os próprios jogadores do Flamengo.

''Ele me passou que lateral precisa primeiro marcar'', explicou Rodinei. De fato, uma das orientações de Rueda foi recuar os dois laterais. Não por acaso Trauco foi preterido primeiro por Renê Jr, e depois por Pará. Afinal, o peruano comete seguidas falhas defensivas, embora tenha um bom passe ofensivo.

Também houve um recuo dos volantes Cuellar e Arão, que jogam mais postados na frente da zaga. Com isso, o time não sobe mais em bloco para pressionar o adversário. ''A gente tem que estar mais fechado atrás'', comentou Cuellar. E o volante Márcio Araújo, que era usado para cobrir subidas por ser veloz, acabou na reserva.

''Não jogamos tão bonito, com tanta posse de bola quanto com Zé Ricardo. Mas o time está mais consistente'', contou Juan. Ele explicou que não houve mudança na sua posição e de Rever, apenas nos que o protegiam. Por exemplo, com laterais recuados, é menos espaço p cobrir. ''Estamos sofrendo menos contra-ataques.''

Nas duas partidas diante do Botafogo, o Flamengo sofreu pouquíssimas conclusões a gol. No jogo decisivo, apenas uma cabeçada perigosa de Guilherme, o goleiro Thiago acabou sem fazer defesas. O time de Jair Ventura chegou a ficar sem alternativas para chegar à defesa rubro-negra, como o próprio treinador reconheceu. Em três jogos, o time não sofreu nenhum gol.

Quando tem que atacar, como não sobe mais em bloco, o Flamengo tenta passes verticais para achar seus jogadores de ataque nas linhas do rival. A tática é usar mais velocidade, e menos posse de bola. Guerrero ressaltou ver qualidades tanto em Zé Ricardo quanto em Rueda. A diferença, para ele, é que o time está ''mais paciente, mais calmo''.

Claro que essas mudanças de Rueda, até agora, são pontuais e feitas para alguns jogos decisivos pois houve pouco tempo de trabalho. O treinador colombiano só poderá impor de fato sua filosofia a longo prazo quando espera-se o seu estilo preferido de toques e posse de bola. Mas, como um bom técnico brasileiro ou de qualquer lugar do mundo, sua primeira medida foi fechar a casa.

Nas duas partidas diante do Botafogo, o Flamengo sofreu pouquíssimas conclusões a gol.

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