O que fizemos com o drible?

Berrio driblou Victor Luis em Flamengo x Botafogo - Foto: Vitor Silva/SSPress
PC VASCONCELLOS: Olá

Recém chegado ao Brasil e com cinco meses de Rio de Janeiro, os colombianos Reinaldo Rueda e Orlando Berrío, respectivamente, devem ter ficado surpresos com a reação de todos ao drible que o atacante deu em Victor Luis e que resultou no gol da vitória e classificação do Flamengo à final da Copa do Brasil. Por onde passei, o que mais ouvi foi: e o Berrío, hein, que drible!! Antes que os dedos nervosos e promotores de plantão se manifestem, o aviso faz-se necessário, embora nos tempos atuais os esclarecimentos tenham pouca ou quase nenhuma importância: também me encantei com o drible aplicado pelo Berrío no lateral do Botafogo. Feito o inútil esclarecimento, o que me chamou a atenção foi o espanto em relação à jogada.

Berrío e Victor Luis em Flamengo x Botafogo pela Copa do BrasilFiquei com a impressão de que nos desabituamos a ver o drible. Estamos tão acostumados a ver a troca de passes improdutiva, a corrida desenfreada com a bola sem saber o que fazer, aos bicos para o alto, chutões com pretensão de lançamento e arremates precipitados, que ao vermos um drible ficamos em êxtase.  A jogada do  Berrío provoca essa reflexão. O que aconteceu para nos divorciarmos de algo que já foi tão comum nos campos brasileiros?

Houve uma época em que no cardápio do jogo sabia-se da inclusão do drible. Não pensem que em outros tempos o jogo era uma beleza ao longo de 90 minutos. Tinha muita partida ruim, jogadores violentos e muitos maldosos, que as vezes ate inutilizavam a carreira do companheiro (?) de profissão. Mas o drible estava lá. Sempre. Fosse no clássico entre dois clubes com a relevância de Botafogo e Flamengo ou num jogo entre clubes mais modestos. Havia o gosto pelo drible, que nada mais é do que a surpresa, o inesperado, a quebra do protocolo, a subversão da ordem e a valorização desta figura que hoje perdeu em projeção para o técnico e, as vezes, até para os executivos: o jogador de futebol.

Quando escrevo que o Reinaldo Rueda e o Berrío devem ter se surpreendido com a reação é pelo fato de que os colombianos, assim como profissionais da bola de outros países do continente não desenvolveram desprezo pelo drible. O mesmo se pode dizer de países na Europa que tem gosto pelo futebol. Muitas vezes não tiveram jogadores em condições de aplicar um drible no adversário e aí partiram para a mecanização extrema. Uma forma de compensar a ausência de pé de obra qualificado para deixar os adversários com problemas na cervical ou torcicolo. Tão escasso anda o drible por essa terra conturbada que, exceto o do Berrío, lembre de outros neste ano que foram determinantes para a vitória deste ou daquele time?

Deixamos de incentivar, ainda na formação, o hábito do drible. Inibimos o que sempre foi uma característica do jogador brasileiro. Quem sabe agora com a jogada do Berrío façamos uma reflexão e vejamos o mal que foi feito a uma qualidade tão própria e única: a arte de driblar.

Berrío e Victor Luis em Flamengo x Botafogo pela Copa do BrasilFiquei com a impressão de que nos desabituamos a ver o drible.

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