O Maracanã pode estar perto do fim

Instrumento de Torcida Organizada do Flamengo no Maracanã - Foto: Divulgação
VEJA: Em 2013, a Concessionária Maracanã S/A, integrada pelas empresas Odebrecht, IMX e AEG, ganhou licitação do governo do Rio de Janeiro para explorar comercial e administrativamente a arena por 35 anos.

O que a associação não previa é que, pouco depois de ser protagonista da final da Copa do Mundo em 2014 e da Olimpíada em 2016, o estádio tem tudo para se tornar um ninho sem futebol. E os concessionários querem muito se livrar dele.

Em junho, Pedro Abad, presidente do Fluminense, confirmou que o clube pretende construir uma arena para cerca de 25 mil pessoas nos fundos do Parque Olímpico.

O Flamengo também sonha em construir seu próprio estádio na Barra da Tijuca. Além dos planos, os dois já vêm mandando jogos em estádios menores (o Flu, no Giulite Coutinho, do América; o Fla, no Luso-Brasileiro, da Portuguesa).

Como o Vasco tem São Januário e o Botafogo está com o Engenhão, os quatro grandes cariocas devem deixar o Maracanã sem futebol, sua razão de existir.

O que afugenta os clubes é o prejuízo a cada jogo. Em março, o Mengo bancou reparos no Maracanã para sua estreia na Libertadores. Somando pagamento de contas de luz e conserto do gramado, a conta ficou em 1,7 milhão de reais.

Além disso, despesas da realização da partida (incluindo aluguel do estádio) consumiram outro 1,2 milhão de reais.

No fim, apesar de a renda do jogo ter sido de 3,68 milhões de reais, o rubro-negro ficou com apenas 638 mil reais. Detalhe: o clube ainda teve que pagar a famosa taxa de 10% da renda à Ferj (a federação de futebol estadual), entidade que nada tem a ver com a competição continental.

Já o Fluminense acumulou um prejuízo de – anote cada centavo – 1.047.832,82 reais em suas três primeiras partidas como mandante no Campeonato Brasileiro.

Sinônimo de “futebol brasileiro”, o Maracanã ainda tem prestígio. A Conmebol anunciou seu plano de mudar o formato da decisão da Libertadores da América, adotando o jogo único em local pré-determinado como na Europa.

A decisão só sai em dezembro, mas o Maracanã é favorito para sediar essa primeira final única em 2018, mesmo sem clubes brasileiros. A Prefeitura do Rio até apresentou candidatura.

Mas os atuais “donos” do estádio nem querem esperar e pedem uma nova licitação do governo estadual para repassar a arena a outra empresa.

A Concessionária Maracanã declara: “Há um ano, manifestamos oficialmente nossa vontade de encerrar o contrato de concessão. O governo declarou publicamente que abriria um novo edital, mas até hoje não cumpriu”.

Hoje com capacidade para 78 mil espectadores, o Maracanã deixou de ser “o maior do mundo” (quando podia receber quase 200 mil pessoas).

Agora, pode nem ser mais estádio de futebol. Os concessionários decidiram alugar o local para “eventos pontuais” (termo deles) para cobrir custos da operação e recuperar parte dos prejuízos.

Neste ano, já foi sede dos exames de admissão de fuzileiros navais pela Marinha e um festival de cervejas artesanais no fim de julho.

Se nada mais for marcado, o Maracanã continuará sua vida de estádio-fantasma, com algumas reles partidas pontuais.

Como o Vasco tem São Januário e o Botafogo está com o Engenhão, os quatro grandes cariocas devem deixar o Maracanã sem futebol.

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