Mesmo sem tempo, Rueda mexeu na parte tática do Flamengo

GOAL: Por Bruno Guedes 

Mesmo com apenas quatro treinos desde que chegou ao Flamengo, Reinaldo Rueda já conseguiu colocar algumas das suas identidades no time. Sem tempo impor as ideias que tem sobre futebol, o colombiano adaptou comportamentos que usava em seu ex-clube, o Atlético Nacional, no trabalho que vinha sendo feito pelo ex-técnico Zé Ricardo. E eles apareceram contra Botafogo e Atlético-GO.

Foto: Reprodução
Contra o Botafogo, Rueda não teve tempo suficiente para impor seu estilo de pensamento e tratou de, na base da conversa e observações, ajustar o que vinha dando errado na equipe. Uma delas era a defesa não tão próxima, causando diversas enfiadas entre os zagueiros ou nas costas dos laterais. O técnico então segurou as subidas dos Rodinei e Renê para tirar as diagonais alvinegras e matar o contra-ataque. Desta maneira, acabou com a velocidade do rival e ainda forçou o time do Jair Ventura a atacar com a defesa Rubro-Negra organizada, dificultando o trabalho.

Mais próximos dos beques, os laterais conseguiram fazer uma linha defensiva mais atenta às infiltrações e evitou que houvesse passes entre os jogadores sem a possibilidade de interceptação ou cobertura de um dos atletas.

Foto: Reprodução
Outra mudança perceptível diz respeito à distribuição do time em campo. Zé gostava dos jogadores bem próximos um dos outros na fase ofensiva, os apoios do portador da bola mais juntos para fazer o passe. Rueda fez o contrário, forçou a abertura de buracos nas defesas do Botafogo e Atlético-GO com a equipes mais espaçada, os extremos bem abertos explorando velocidade e com jogadas mais verticais. Quem tinha a bola pelo meio buscava sempre o passe em diagonal ou no corredor. Foram assim as oportunidades na quarta-feira e os dois gols do Vinícius Jr, no último sábado.

Desta maneira, os volantes acabam sendo fundamentais para distribuição do jogo e também participação nas chegadas ofensivas. Por isso Cuéllar e William Arão fizeram boa partida na Copa do Brasil, já que entre as qualidades de ambos está a facilidade em dar um passe mais vertical ou na busca de um companheiro melhor colocado. E por ironia do destino, saiu dos pés do Márcio Araújo o lançamento no primeiro gol do Vinícius, contra o Atlético-GO.

O trabalho do Reinaldo Rueda requer muito tempo para evolução. Então ele fez o básico neste começo. Mas para um futebol praticado no Brasil, que ainda vive a Era Paleolítica tática, já é uma enorme vantagem.

Outra mudança perceptível diz respeito à distribuição do time em campo.

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