Júlio Gomes torce por Fernando Diniz no Flamengo

Técnico Fernando Diniz - GIULIANO GOMES/Gazeta Press
JÚLIO GOMES: Zé Ricardo mostrou, neste ano e pouco à frente do Flamengo, que é um bom técnico. Uma revelação do futebol brasileiro. Acredito que abriu mercado para si próprio e será sempre lembrado por clubes da Série A nos próximos anos.

Estou escrevendo com esse tom de despedida porque sabemos como a máquina gira no futebol brasileiro. E, por mais que o presidente do Flamengo esteja fazendo um louvável esforço para manter o treinador no cargo, será difícil segurar o rojão após a derrota deste domingo de manhã para o Vitória.

Zé Ricardo jogou para a galera. Abriu mão de um sistema mais equilibrado, sacou um volante (o criticadíssimo Márcio Araújo) e colocou todo mundo lá na frente: Geuvânio, Everton Ribeiro, Everton e Diego, com Vizeu à frente. Por trás, na contenção, somente Arão.

Foram dois jogos muito bem jogados contra Corinthians e Santos em São Paulo, em que o Flamengo poderia tranquilamente ter voltado para casa com seis pontos e moral elevado. Mas voltou com um, porque o futebol é assim, e pressionado no aeroporto. Uma pressão injusta. Porque, se os resultados não agradaram, o desempenho precisava ser reconhecido.

Depois destas duas boas partidas, o Flamengo teve uma apresentação pífia contra o Vitória. Não apenas pelo resultado adverso. Não foi uma derrota do tipo Grêmio e Avaí, em que goleiro faz milagres, bola não entra nem a pau, etc. Foi uma derrota de um time que criou pouco, se amontoou, ficou exposto e teve seus erros punidos com gols. Poderia até ter perdido por mais.

Benítez chegou ao Real Madrid no meio do ano retrasado, em 2015, substituindo Carlo Ancelotti. Resolveu montar um time mais equilibrado, mais preocupado com o sistema defensivo. Foi ele, afinal, que colocou Casemiro para jogar de titular. Mas o início de temporada 15/16 do Real não empolgou ninguém.

Benítez, criticado desde a contratação, não convencia. Então, no clássico contra o Barcelona, ele resolveu jogar para a torcida (e presidente). Abriu mão de suas convicções, colocou em campo um time super ofensivo. Levou 4 a 0. Ainda ficou um tempinho no cargo, morto-vivo, até ser demitido. Zidane entrou no lugar e foi bicampeão europeu.

Zé Ricardo deu, hoje, uma de Benítez. ''Ah é? É esse o time que vocês querem? Então toma o time que vocês querem. Ah é? Querem que eu coloque o Berrío? Então pronto, tomem Berrío''. Quis mostrar que está certo, apontando que os outros é que estão errados.

O cidadão jogou a toalha. Resolveu atender a pedidos da mídia e da torcida – sendo que mídia e torcida, quando se trata de Flamengo, costumam ser quase a mesma coisa. Não entro no mérito de quem está certo, quem está errado. Estou falando de outra coisa.

Um técnico sem convicções acaba perdendo o respeito de todos. Falta só agora atender o último pedido. Do ''fora, Zé Ricardo''. Parece apenas questão de tempo. Até porque convicção de dirigente é apenas sobreviver. Literalmente.

Pessoalmente, concordo com as críticas a Márcio Araújo, e acho que o técnico poderia ter testado mais alternativas por ali. Mas o grande erro de Zé Ricardo foi não ter utilizado Vinícius Jr com muito mais frequência. Veremos o que fará seu sucessor.

No ano passado, quando Muricy pediu o boné, o Flamengo fez proposta para Fernando Diniz – que não foi por acreditar na palavra no dono do Audax. Torço para que o Flamengo volte à carga. E tenha, com Diniz, a mesma paciência que teve com Zé Ricardo.

Mas o grande erro de Zé Ricardo foi não ter utilizado Vinícius Jr com muito mais frequência. Veremos o que fará seu sucessor.

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