Homens de bem

Presidente do Flamengo - Foto: Divulgação
PC VASCONCELLOS: Olá

Não tenho relação de proximidade com os presidentes do Botafogo e do Flamengo. Com um e outro conversei profissionalmente não mais do que três vezes. A distância e com o olhar apurado acompanho o trabalho que ambos, devidamente bem assessorados, fazem nos clubes que lideram. Essa distância e o olhar 100% isento me permitem elogiá-los pelas administrações - sempre lembrando que nada fazem sozinhos - e o presente das equipes de futebol atesta o quanto têm acertado Carlos Eduardo Pereira e Eduardo Bandeira de Melo. Não cabe comparação entre os investimentos feitos, diretamente ligados ao fôlego financeiro de cada um, mas é salutar para o futebol ver o Flamengo cumprindo os seus compromissos, tanto quanto faz o Botafogo. O ano do Rubro-Negro terminará com uma decepção difícil de medir: a precoce eliminação na Taça Libertadores, ainda na fase de grupos, que marca o começo da queda do técnico Zé Ricardo. Enquanto a temporada do Botafogo é de longe a melhor do clube neste Século XXI.

Estão ali dois homens de bem e que passam a certeza de que não entraram no futebol para mudar o patrimônio. Duas pessoas que o futebol, contaminado e invadido por aproveitadores ao longo de sua existência, precisam para que o Torcedor do Bem perceba que nem tudo é jogada, maracutaia, caixa dois ou busca por vantagem custe o que custar.

Mas é incompreensível ver dois cidadãos tão respeitados, que devem ser adeptos do bom dia, por favor e obrigado, mostrarem total incapacidade para um diálogo que faria bem aos clubes que presidem, as suas biografias e teria efeito ainda mais benéfico entre os Torcedores do Bem, aqueles que a bandidagem com a cumplicidade de muito cartola insiste em afastar dos estádios. Lamento também que os tão competentes assessores não consigam dar o passo à frente. Tudo por causa da defesa de uma paixão, que não precisa de cenas explícitas de impossibilidade de conversa ou sutis trocas de farpas para ser legitimada.

A época é das mais difíceis. A crítica virou linchamento e para discordar é preciso ofender. Quando presidentes de clubes da mesma cidade e com histórico de jogos inesquecíveis ao longo de décadas se recusam a dialogar, a sensação para os de bom senso é de que nada é mais possível. E para os adeptos da emboscada, do espeto e das ofensas é um prato bem temperado e servido à gosto do freguês.

Quanto ao jogo, entendo que nas expulsões de Muralha e Carli, o Botafogo saiu em desvantagem. O goleiro do Flamengo é um poço até o travessão de insegurança, enquanto o zagueiro argentino exala confiança para o sistema defensivo do time treinado por Jair Ventura. O confronto está em aberto, mas o Flamengo desta quarta feira será um time avassalador. Terá por missão encurralar o adversário. Caso este se apequene, o campo para uma classificação rubro-negra ficará mais livre. É jogo que se pode intuir um lado levando o adversário para o canto do ringue e do outro alguém que precisará ser frio, calculista e preciso.

Cruzeiro x Grêmio

Quem se dá ao trabalho de ler estas mal traçadas, sabe do prazer que tenho em ver o Grêmio jogar e da atenção que dedico aos trabalhos feitos pelo Mano Menezes. O time gaúcho consegue mudar de jeito com muita facilidade e, geralmente, surpreende os adversários em partidas decisivas. Não por acaso está novamente numa semifinal de Copa do Brasil, torneio eliminatório, e respira sem aparelhos no Campeonato Brasileiro. Isso sem falar na Libertadores, onde é legítimo sonhar com a permanência até o fim da competição. Além de contar com um letal Luan - ele e Rodriguinho são os melhores jogadores em atividade no futebol brasileiro neste momento -, o Grêmio seduz pelo jogo coletivo. O passe é o bem mais precioso do futebol e o Grêmio troca passes com leveza e objetividade.

E o Cruzeiro? O Cruzeiro ainda não decolou, penso. Já fiquei com a sensação de que esteve por fazê-lo várias vezes e......a Torre de Comando não autorizou. Deve deixar o Mano intrigado essa inconstância. Afinal, o time está organizado, tem bons jogadores, semeia e colhe o jogo coletivo, mas sempre falta alguma coisa. Fosse catedrático ou um sábio do futebol e teria uma explicação. Não sou nem uma e nem outra coisa.  O futebol é fascinante entre outras coisas por dar uma bola no meio das pernas daquele que tudo quer explicar ou fazer de João o sábio da esquina. O Cruzeiro propõe este desafio.

Não tenho relação de proximidade com os presidentes do Botafogo e do Flamengo. Com um e outro conversei profissionalmente não mais do que três vezes.

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