Flamengo teve vontade e coragem para vencer

Diego comemorando gol pelo Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
ESPN FC: Por João Luis Jr.

Nunca tanta gente quis que um jogo fosse para os pênaltis. O time do Botafogo, que, confiante no ótimo histórico de penalidades do goleiro Gatito, gastava o tempo, fazia passar o jogo, valorizava cada pausa e possibilidade de gastar segundos, chegando a extremos como fazer cera na metade do primeiro tempo e aparentemente orientar seu médico a atender qualquer lesão como se ele mesmo estivesse lesionado. O árbitro, que costumava apitar partidas de xadrez e considerava falta qualquer mínimo momento de contato físico, parando o jogo sempre que a bola se aproximava de uma das grandes áreas. Os torcedores de todos os outros times do Brasil, já que pênalti, assim como briga de casal, é horrível quando estamos participando mas um excelente entretenimento quando visto de fora.

Mas o Flamengo não queria pênaltis. O Flamengo queria vencer. E isso ficou claro desde o primeiro minuto. O time apresentava um futebol bonito, criava grandes jogadas, encantava o torcedor? Não, por uma gama de razões que vão desde o trabalho ainda incipiente de Rueda com a equipe até a incapacidade de praticar futebol com um juiz que aparentemente odeia jogadas de gol tanto quanto o Coração Gelado dos Ursinhos carinhosos odeia a felicidade e a alegria. Mas ainda assim o Flamengo estava lá. Dominando as ações, buscando o jogo, tentando criar oportunidades.

Então foi num misto de vontade e habilidade, que são basicamente os dois elementos que descrevem a alma do Flamengo, que a vitória veio. Vontade porque o time nunca desistiu, mesmo diante de um Botafogo muito bem montado na defesa, mesmo diante de um árbitro que ignorou faltas, pênaltis e quase levou Guerrero a expulsar a si mesmo de tanta raiva. E habilidade porque Berrío, o atacante que já havia sido considerado por alguns um “Cirino colombiano”, mostrou que faz coisas que Cirino não seria capaz de fazer nem mesmo no videogame, ao aplicar em Victor Luis aquilo que Clarice Lispector descreveria com a frase “Drible é pouco, aquilo que Berrío fez ainda não tem nome”.

E foi com esse drible, seguido da conclusão de Diego e do corta-luz de Guerrero, que o Flamengo garantiu seu gol, sua vitória, sua classificação para a final da Copa do Brasil. Uma vitória construída em cima da habilidade do colombiano, da disposição de Diego, que, mesmo atuando bem abaixo da média, jamais desistiu de buscar o jogo, e da coragem do peruano, que voltava de lesão e atuou durante os 90 minutos com a mesma garra e vontade de sempre.

Nos espera agora na final o Cruzeiro, vencedor do duelo contra o Grêmio, no que deve ser uma duríssima disputa pelo título. Mas antes, é claro, ainda temos outros desafios. Atlético-PR, pelo Campeonato Brasileiro, em que provavelmente não brigamos mais pelo título mas o G4 ainda é obrigação, Chapecoense, pela Sulamericana, quando teremos a chance de tirar o gosto amargo de competição internacional que a eliminação da Libertadores deixou na boca dos rubro-negros, e, sim, você não está alucinando, o Paraná, pela Primeira Liga. Porque sim, a Primeira Liga ainda existe e a Primeira Liga ainda está acontecendo. E bem, se nós estamos nela, nós temos que ganhar. Com habilidade, disposição, coragem e vontade de vencer. Porque isso é o Flamengo e a noite de ontem nos fez lembrar disso muito bem.

Da coragem do peruano, que voltava de lesão e atuou durante os 90 minutos com a mesma garra e vontade de sempre.

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