Em dia de Guerrero, Lucas Paquetá comanda o Flamengo

Vinicius Júnior e Lucas Paquetá, do Flamengo - Foto: Divulgação
GLOBO ESPORTE: Reinaldo Rueda tinha uma surpresa para enfrentar o Atlético-GO, conforme o lateral Renê avisou na coletiva de sexta-feira. E "a surpresa surpreendeu". Como centroavante, Lucas Paquetá, meia de origem, teve ótima atuação nos 2 a 0 sobre o Dragão. Como referência, colocou-se no meio dos zagueiros, fez o pivô e cabeceou três vezes. E, quando voltou, deu carrinho, brigou e fez o que melhor sabe: de frente para a defesa rival, deu bela assistência para Vinicius Júnior, no segundo gol.

Claro que também demonstrou deficiências, sobretudo no posicionamento. Fez nova função e naturalmente confundiu-se por algumas vezes. Positivo é que Paquetá superou o abatimento demonstrado com as raras oportunidades que teve com Zé Ricardo, seu velho conhecido, e a falta de ritmo. Apesar de ter desabado em campo no fim do jogo com cãibras e evidente desgaste, brigou até o fim. A atuação fez Rueda o classificá-lo como extraordinário e como "hombre de hombría" (Homem de virilidade, hombridade) - leia mais no fim da matéria.

Brigador no primeiro tempo

No primeiro tempo, Paquetá não fez muito diferente o que Felipe Vizeu vinha apresentado recentemente. Embora não seja da posição, procurava se posicionar no meio dos zagueiros William Alves e Gilvan. O costume de meio-campista, porém, o fazia sair da área para pedir bolas frequentemente e auxiliar na marcação.

Logo aos três minutos, faltou cacoete de camisa 9 ao tentar cabecear bola no meio da área que nitidamente se oferecia para um domínio no peito ou com os pés. Aos oito, perdeu no alto, e a bola sobrou limpa para Márcio Araújo perder gol feito. Teve suas melhores chances aos 15 minutos: primeiro, cobrou falta com perigo. Depois, cabeceou para fora cruzamento de Éverton Ribeiro.

Também mostrou pouca intimidade com a posição ao ficar em impedimento num lance que Vinicius Júnior o deixaria na cara do gol. Seria uma grande chance. No último minuto do tempo regulamentar, retribuiu a cortesia com passe de letra, mas Vinicius chutou em cima da defesa.

Com jeito de "Guerrero" no segundo tempo

Na etapa final, demorou a se soltar, mas, quando perdeu a timidez, passou a jogar como veterano. Novamente botou a bola debaixo do braço diante de falta perto da área e a bateu bem. Depois disso, deu corta-luz por duas vezes, apareceu para dar opção e superou o cansaço após Rueda trocar três peças.

No lance do segundo gol rubro-negro, Paquetá aliou seu próprio estilo ao de Guerrero. Lembrou o 9 ao ganhar disputa de bola com o peito, no alto, e recebeu de volta de Diego para deixar Vinicius Júnior livre para fechar a conta. Com açúcar, como um 10.

Dois minutos antes já havia sido "guerreiro" ao disputar com zagueiro rival e ganhar a bola pelo alto duas vezes. Colocou Vinicius, com uma cabeçada, na cara do gol outra vez. Mas o garoto perdeu, também com uma testada, chance incrível.

Posse de bola: 35 segundos
Finalizações: 6
Cabeçadas: 3
Roubada de bola: 1
Passes certos: 9
Errados: 2
Faltas recebidas: 1
Impedimento: 1

Rueda se encanta com "hombre com hombría"

Com poucos dias de Flamengo, o técnico Reinaldo Rueda surpreendeu ao escalar Paquetá como 9. Mas o teste não era uma novidade, tanto que o garoto foi para o aquecimento durante a partida do Botafogo quando Felipe Vizeu queixou-se de dores na coxa esquerda - Zé Ricardo passou a experimentá-lo no setor após a saída de Leandro Damião. A escolha teve um conselheiro: Jayme de Almeida, que já conhece o garoto há bastante tempo.

- Paquetá foi extraordinário, um jogador com muito talento, agressividade ofensiva, boa técnica, muito fino. Em escassos dias de trabalho, as informações do professor Jaime têm sido muito importantes e efetivas. Eu e ele compartilhamos a ideia do Paquetá (como centroavante). No treinamento, testamos Paquetá nessa posição. Falei com Paquetá, com Lucas. Ele gostou, tem vocação ofensiva, faz muito bem os movimentos e tem características ofensivas. Diante de um rival difícil, com uma defesa forte, foi muito satisfatório.

 - Muito satisfatório para o futuro do nosso futebol ter um homem de ataque com esse caráter, "hombría" (hombridade, virilidade), mobilidade e agressividade. É muito, muito importante com isso.

Autoavaliação do garoto

Paquetá, que completa 20 anos no próximo domingo, apontou qual a maior dificuldade na nova função e o que lhe deu menos trabalho.

- Mais difícil é a movimentação ali na frente. Jogar de costas para os zagueiros, coisa que eu não era acostumado. Sempre joguei de frente, montando as jogadas, mas acho que fiz bom papel, briguei por cada bola. Mais fácil foi o apoio que todo o time depositou em cima de mim. Me facilitou, deu confiança e pude dar meu melhor em campo.

Rueda disse que Paquetá gostou da nova função. O jovem riu sobre se de fato havia curtido e deu uma resposta de garoto:

- Gosto de estar em campo (risos), então me preparo porque não sei onde a oportunidade surge. Hoje (domingo) surgiu no ataque, então realmente gostei, batalhei e vi o Flamengo vencer, o que é o mais importante.

O costume de meio-campista, porém, o fazia sair da área para pedir bolas frequentemente e auxiliar na marcação.

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