Cosme Rimol cobra julgamento do Botafogo na Copa do Brasil

Família de Vinicius Júnior, do Flamengo - Foto: Divulgação
COSME RIMOLI: Dirigentes do Botafogo estão aliviados.

Sim, aliviados.

Porque descobriram que não há risco de o clube seguir o mesmo caminho do Grêmio e ser eliminado da Copa do Brasil. Isso mesmo depois do nojento ato de racismo que aconteceu ontem no Engenhão.

Vários torcedores do Botafogo reconheceram a família de Vinícius Júnior no estádio. E passaram a provocar, ofender, xingar.

Um mais exaltado escolheu mostrar o que pior havia na sua alma. E começou a apontar os familiares do jogador e passar a mão no braço, fazendo menção à cor negra da pele dos parentes de Vinícius Júnior. Racismo puro. Ou 'injúria racial' como gostam de amenizar os advogados.

Quem viu ficou revoltado.

Ele foi denunciado à polícia.

Acabou retirado do estádio e foi detido.

Dormiu na cadeia, isolado da sociedade, que é o seu lugar.

Pelo menos até a aprender a respeitar as pessoas.

Em 2014, vários torcedores gremistas passaram a xingar Aranha, então goleiro do Santos, por fazer cera. Só que alguns deles escolheram o racismo. Por ele ser negro, o chamavam de macaco. Eram vários. Mas as câmeras da tevê se fixaram em Patricia Moreira. Uma garota loira que gritava raivosa. "Macaco, macaco, macaco."

Mas a justiça gaúcha não quis expor a torcedora a um julgamento. Nem ela e outros três torcedores que foram identificados. O juiz Marco Aurélio Xavier resolveu optar pela legislação capenga deste país. Ele suspendeu o processo contra o quarteto. Ofereceu algo muito mais palatável do que o julgamento. Ficariam muito expostos, 'coitados'.

Em vez disso, o juiz deu a chance que todos se apresentassem em uma delegacia antes dos jogos oficiais do Grêmio, dentro ou fora de Porto Alegre. Até agosto de 2015. Muito unidos, os quatro aceitaram imediatamente a proposta.

Marco Aurélio Xavier não foi rígido com o quarteto. Sugeriu que em vez de ir até a delegacia, usassem tornozeleiras eletrônicas. Os gremistas não quiseram ser monitorados na polícia. Recusaram. O juiz aceitou a negativa. Mas deixou avisado que, se eles cometerem outro crime até agosto de 2015, o processo de 'injúria racial' seria reaberto. E aí, julgados.

Como não cometeram nenhum outro crime, não houve julgamento.

Patricia Moreira saiu de Porto Alegre, se dizia perseguida.

Mas voltou à sua cidade e vive normalmente.

Só que na área esportiva, o Grêmio foi eliminado.

Três anos depois, este novo ato racista.

Só que o Botafogo alega estar protegido.

Não sofrerá punição.

Porque na sua torcida não haveria 'vários' racistas.

O raciocínio é cruel, terrível.

Um pode.

Não tem problema algum, tentar usar a cor de pele para diminuir outro ser humano. Pai, mãe, irmão, avô, tia de jogador de futebol do adversário podem ser menosprezados por serem negros.

"Praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência:

PENA: suspensão de cinco a dez partidas, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador, médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de cento e vinte a trezentos e sessenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural submetida a este Código, além de multa, de R$ 100 a R$ 100 mil.

§ 1º Caso a infração prevista neste artigo seja praticada simultaneamente por considerável número de pessoas vinculadas a uma mesma entidade de prática desportiva, esta também será punida com a perda do número de pontos atribuídos a uma vitória no regulamento da competição, independentemente do resultado da partida, prova ou equivalente, e, na reincidência, com a perda do dobro do número de pontos atribuídos a uma vitória no regulamento da competição, independentemente do resultado da partida, prova ou equivalente; caso não haja atribuição de pontos pelo regulamento da competição, a entidade de prática desportiva será excluída da competição, torneio ou equivalente."

Este é o artigo 243-G do Código Brasileiro da Justiça Desportiva.

"Considerável número de pessoas vinculadas a uma mesma pratica desportiva." Esta é a expressão que o departamento jurídico do Botafogo promete se agarrar para evitar perder os pontos do jogo de ontem contra o Flamengo. Ou simplesmente ser eliminado da Copa do Brasil.

Familiares de Vinícius Júnior se manifestaram.

"A família do atacante Vinicius Jr, do Flamengo, que foi vítima de racismo por parte de um torcedor do Botafogo no jogo desta quarta-feira (16/08), pela semifinal da Copa do Brasil, lamenta profundamente o episódio e repudia qualquer ato neste sentido contra qualquer cidadão. E espera que medidas sérias e cabíveis sejam tomadas pelos órgãos responsáveis para que cenas lamentáveis como esta não voltem a se repetir."

"O Botafogo de Futebol e Regatas vem a público manifestar seu repúdio a todo tipo de racismo, preconceito e violência, seja física ou verbal. Atitudes individuais e isoladas não representam a postura de nossa torcida ou do clube, que agiu com a máxima presteza junto às autoridades.

"O clube espera que a Justiça seja feita e reitera que tomou todas as medidas cabíveis em auxílio às investigações. O Botafogo é Alvinegro, branco e preto, e já promoveu diversas campanhas contra o preconceito racial. Racismo jamais!"

Postou o Botafogo no seu twitter.

O procurador do STJD, Felipe Bevilacqua, ainda não sabe se vai denunciar o Botafogo ao STJD. Ainda não viu as imagens. Basta ter o mínimo de boa vontade. O vídeo com a cena deplorável já circula na Internet desde ontem.

Bevilacqua tem a obrigação de denunciar o Botafogo.

Esse ato de 'injúria racial' não pode ser minimizado.

Se o Grêmio foi penalizado, o clube carioca tem de ser julgado.

O 'cidadão' racista precisa ser processado.

E seu nome divulgado.

Não é possível aceitar omissão, protecionismo.

O caso no Engenhão é tão vergonhoso quanto o do Olímpico.

É uma questão de justiça...

Esta é a expressão que o departamento jurídico do Botafogo promete se agarrar para evitar perder os pontos do jogo de ontem contra o Flamengo.

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