Brigar pelo título é apenas obrigação do Flamengo

Diego, do Flamengo, comemorando gol - Foto: Buda Mendes/Getty Images
ESPN FC: Por João Luis Jr.

Nessa semana, após um bom início sob o comando de Rueda – classificação para a final da Copa do Brasil e duas vitórias no Campeonato Brasileiro –, o Flamengo voltou a falar sobre brigar pelo título nacional. Primeiro na declaração do próprio Rueda, de que, apesar a distância para o Corinthians, o Flamengo precisa jogar sempre com a mentalidade de quem quer vencer, jogo a jogo. Depois Rômulo, lembrando que, apesar da desvantagem, estamos diante de um campeonato longo, competitivo, em que qualquer coisa pode acontecer – vide as duas últimas derrotas do Corinthians, em casa, contra adversários na zona de rebaixamento.

E essas duas falas resumem um pouco os motivos pelos quais o Flamengo precisa continuar levando a sério a disputa pelo Campeonato Brasileiro de 2017. Não por subestimar o Corinthians, uma grande equipe, que vem fazendo uma enorme campanha. Não por empolgação excessiva com Rueda, como se o colombiano fosse capaz de consertar todos os problemas da equipe em algumas poucas rodadas. Mas pelo simples fato de que uma equipe que tem uma mentalidade vencedora e a qualidade que o Flamengo tem não pode desistir de um campeonato enquanto houver qualquer possibilidade matemática.

Estou falando que o Flamengo irá nos próximos 5 jogos tirar os 15 pontos de vantagem para o líder? Não. Estou falando que devemos priorizar o Brasileirão, em detrimento de torneios com rotas mais “fáceis”? Também não. Estou mentalmente traçando analogias entre 2017 e a arrancada de 2009? Talvez, mas não quero falar disso. Mas, por mais que as chances pareçam pequenas ou mesmo mínimas, o Flamengo tem razões de sobra para continuar brigando enquanto for cientificamente permitido ter esperanças de conquistar o heptacampeonato esse ano.

É complicado, exigiria uma série improvável de fatores, se você colocar 100 reais nisso agora em qualquer site de apostas provavelmente consegue comprar um carro se acontecer, mas existe, sim, a possibilidade de que o Flamengo tire 15 pontos de diferença em 48 pontos disputados, ao menos no campo da matemática. Precisaríamos de uma queda brutal de rendimento do líder e dos outros concorrentes, assim como de um ritmo forte de vitórias de nossa parte, mas o futebol é um esporte em que Márcio Araújo completou mais de 100 jogos por 3 das maiores equipes brasileiras, então muitas coisas improváveis vira realidade.

Segundo pelo fato de que financeiramente existe uma enorme diferença entre perseguir o líder do campeonato até o final e ser 2º colocado, ou se conformar com uma 5ª ou 6ª colocação - e ela pode representar uma diferença de quase 8 milhões de reais, se formos nos basear em dados do Brasileirão do ano passado. Claro que a meta do clube precisa ser sempre conquistar títulos, e não apenas ganhar dinheiro, mas, financeiramente, a diferença entre um 2º e um 4º lugar pode equivaler praticamente à premiação da Copa do Brasil, por exemplo.

E depois pelo fato óbvio de que o Flamengo precisa sempre pensar em vencer. Claro, é preciso dosar bem os recursos, não estourar nenhum jogador, saber que é mais importante um Diego numa final de mata-mata do que numa partida dentro de casa contra a Ponte Preta, mas brigar pelo título é tanto uma questão de escalação quanto de mentalidade.

O Flamengo tem um grupo que, ainda que não tão uniforme e bem montado quanto se imaginava, oferece opções interessantes para diversas posições. Sem Guerrero, temos Vizeu. Sem Diego, temos Éverton Ribeiro, Paquetá, talvez até Conca. Sem Diego Alves, temos Thiago. Sem Juan e Réver, temos Rhodolfo e Léo Duarte, até Rafael Vaz, se você quiser mesmo testar a sua sorte e jogar a vida no modo hard sem memory card.

E por isso o Flamengo tem que seguir tentando, seguir lutando, seguir buscando vencer. Seja na Copa do Brasil, em que já estamos na final, seja na Sul-Americana, cujo caminho é ainda mais íngreme, seja no Brasileiro, em que as chances parecem mínimas, seja na Primeira Liga, a qual, se vencermos, será aquela comemoração meio “medalha de honra ao mérito que você ganhou por ter recolhido muito alimento não-perecível nas olimpíadas do colégio”.

Porque o Flamengo é grande e não existe a opção de se contentar com menos do que o máximo que você pode ter. Não por presunção, não por ilusão, apenas porque ser grande exige isso de você.

E depois pelo fato óbvio de que o Flamengo precisa sempre pensar em vencer.

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