Arbitragem teve mais medo do gol que Flamengo e Botafogo

Árbitro Anderson Daronco - Foto: Rafael Ribeiro/Gazeta Press
ESPN FC: Por Marcos Almeida

Clássico sem divisão igualitária de torcida e com gol qualificado. Coisas do futebol de hoje, que vê um Flamengo desmantelado, tentando se reerguer, e um Botafogo de alma gigante, passando por cima de toda e qualquer dificuldade. Time de espírito invejável, que alcançou as quartas da Libertadores e a semifinal da Copa do Brasil jogando a maioria de suas partidas fechado. Não seria diferente diante do maior rival.

Temendo sofrer o gol em seus domínios, o Botafogo teve como proposta, acima de tudo, garantir o zero do lado rubro-negro do placar. Deu a bola ao Flamengo – como o Mengo gosta, aliás, embora não faça bom proveito disso. Criador das melhores chances do jogo, o Flamengo também se preocupou em não ver 90% do estádio celebrar uma finalização. Dois lados não querendo sofrer o gol, um com tremenda dificuldade de fazer. Mas ninguém, ninguém, teve mais medo de testemunhar uma bola na rede do que Anderson Daronco e sua turma.

O sexteto de arbitragem viajou ao Rio de Janeiro com uma clara missão: não interferir erroneamente em lances capitais. Para isso, a atitude tomada foi impedir, ao máximo, a ocorrência de tais lances. Esqueceram a principal função daqueles que apitam, bandeiram, ou ficam agachados, ao lado do poste esquerdo: arbitrar uma partida de futebol.

Contato físico, mais próximo à linha de fundo que ao círculo central: infração a favor da defesa. Assim foi quando Felipe Vizeu realizou um simples domínio, no bico da área. Daronco assoprou forte: falta em Joel Carli. Aos que restaram dúvidas, elas foram embora no não gol de Orlando Berrío. Apenas quando Gatito teve total controle da bola que o auxiliar levantou a bandeira. Nem ele sabe por quê. Mas, se o goleiro já havia a soltado uma vez, era melhor garantir que não soltasse a segunda, que não pudesse haver o risco de se originar uma situação polêmica. Fica a impressão de que, se Berrío tivesse concluído com menos displicência, Elio Nepomuceno de Andrade Junior teria corrido para o centro do gramado.

Veio o segundo tempo, escanteio para o Botafogo e cabeçada longe, por cima do gol. Não valeu. Falta de ataque marcada. Joel Carli reclamou e Daronco enrijeceu o bíceps para mostrar cartão amarelo ao argentino. Era só ter apontado tiro de meta...

Mais tarde, em posição irregular, Igor Rabello interferiu na ação de Juan. Na sequência, houve choque, pé alto, revide e discussão entre Alex Muralha e Joel Carli. Dava para apenas marcar o impedimento e deixar o jogo seguir, mas o “professor” quis punir os envolvidos no entrevero. Amarelo para cada lado significaria a expulsão de Carli, e possível “interferência no resultado final”. Solução? Vermelho para os dois.

Com 10 em campo, já para o fim do jogo, Flamengo e Botafogo passaram a se agredir menos ainda. Tanto que a partida terminou antes mesmo dos 6 minutos adicionais determinados por Anderson Darcono. Quatro substituições, dois atendimentos médicos e cerca de 4 minutos de paralisação devido à ocorrência gravíssima envolvendo Muralha e Carli. 6 de acréscimos, incompletos. Missão cumprida, exemplarmente, pelos 6 homens de amarelo. Não houve lance capital com favorecimento a ninguém.

Isto posto, falemos um pouco do nosso Flamengo, que, enfim, voltou a despertar sentimento na Nação. A passividade do time aliada à perda definitiva do Campeonato Brasileiro fez com que mal conseguíssemos reagir às derrotas para Vitória e Atlético-MG; e até mesmo à goleada sobre o Palestino.

Com apenas 3 dias de trabalho, é difícil analisar Reinaldo Rueda. Mexeu nas duas laterais e barrou Márcio Araújo, embora não tenha resistido a colocá-lo no segundo tempo. Deu liberdade ao compatriota Cuéllar, que teve talvez sua melhor atuação vestindo o Manto Sagrado. Defensivamente, o Flamengo fez a partida mais segura em muito tempo.

O ponto de interrogação fica quanto à participação de Vinícius Júnior no jogo. O garoto entrou no lugar do melhor em campo, Éverton. Oito minutos depois, foi sacrificado com a expulsão de Muralha. O Mengo estava com 3 volantes – Cuéllar, Willian Arão e Márcio Araújo – mais um inoperante Felipe Vizeu na frente. Dava para ter sacado um dos 4 e deixado o moleque em campo. Sem grandes crises, bom ressaltar.

Quanto aos jogadores, alguns destaques:

Diego: Atravessa má fase, tem irritado demais. Fez apenas duas boas partidas desde que voltou de lesão: contra Chapecoense (5x1) e Santos (2x4). Prende demais a bola e acaba a perdendo na maioria das vezes justamente por não passá-la. Recebeu cartão amarelo em lance em que o Flamengo estava com 8 jogadores no ataque e Diego, em vez de tocar, segurou. Perdeu a bola e fez a falta para impedir o contra-ataque.

Felipe Vizeu: Pode ser identificado com a massa, se posicionar bem e até finalizar razoavelmente, mas tem quase nula intimidade com a bola. Ou ele bate para o gol, ou não sabe o que fazer. Desconhece a “centroavância”, não prende, não faz pivô, erra passe. No time em que Guerrero se destaca justamente por participar do jogo, talvez seja melhor treinar sem centroavante do que com Felipe Vizeu, na ausência do peruano.

Renê: Enfurece o torcedor. Defensivamente melhor que Trauco, tomou um baile de Bruno Silva, em um lance de linha de fundo, no primeiro tempo. Do meio para a frente, erra passe simples, perde bola boba, pouco se apresenta, não acerta um cruzamento. A lateral esquerda do Flamengo é desesperadora.

Éverton: Ao lado do xará Ribeiro, o melhor jogador do Mengo atualmente. Busca, ousa, parte para cima, dá opções. Difícil ser “improvisado” quando se é o melhor do time, mas torço para que Rueda o chame para uma conversa franca e explique: “Garoto, você é o destaque desse grupo. Quero que sigas brilhando e, justamente por acreditar em teu futebol, vou te deslocar para a posição mais carente do time. Sei que você compreenderá.” Reitero: a lateral esquerda do Flamengo é desesperadora.

Vamos ao Maracanã precisando da vitória. Desvantagem justa, na ocasião. Eles têm melhor campanha, melhor ano. Nada de gols no Nilton Santos, em mais um para a coleção recente de empates entre Flamengo e Botafogo. Junto com o clássico da quarta-feira que vem, entrará em campo a velha história do hino dos clubes.

Se eles não podem perder, perder para ninguém; caberá a nós vencer, vencer, vencer.

Amarelo para cada lado significaria a expulsão de Carli, e possível “interferência no resultado final”. Solução? Vermelho para os dois.

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