Sedento por títulos, Guerrero se declara ao Flamengo: "Minha segunda casa"

Paolo Guerrero, jogador do Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
ESPORTE INTERATIVO: Paolo Guerrero demorou, mas conquistou a torcida do Flamengo. Pouco mais de dois anos depois da chegada à Gávea, o peruano enterrou os poucos focos de insatisfação com gols. Em entrevista exclusiva ao Esporte Interativo, o camisa 9 rubro-negro narrou do início difícil no Rio de Janeiro até a evolução, tanto do Flamengo como clube quanto do atacante, hoje mais artilheiro.

"Tive que me adaptar ao Rio de Janeiro. Jogar aqui, com essas temperaturas muito altas, eu não estava acostumado. Em São Paulo é outra realidade, outro clima. Foi difícil, mas hoje em dia me sinto em casa. O Flamengo é minha segunda casa e me sinto muito bem aqui", disse.

"O nosso CT mudou muito. Agradeço à diretoria do Flamengo. Eles me contaram que o CT iria mudar, e todas essas coisas. Eu precisava me preparar bem, porque o futebol mudou muito. O Flamengo conseguiu fazer um CT novo e todos os meus companheiros e eu estamos muito felizes", completou.

Coincidência ou não, a melhora do Flamengo e a subida de produção de Guerrero andaram lado a lado. Tanto que o jogador demonstra intimidade com a cidade do Rio e, perguntado sobre o futuro, afirma: "Eu tenho contrato ainda, até 2018. Então, isso não me preocupa".

O camisa 9 aumentou o nível e, em 2017, já igualou o recorde pessoal de gols em uma temporada, contabilizando só partidas por clube: 18 gols. O "melhor ano" da carreira está próximo, mas Guerrero tem outro foco.

"Eu não me preocupo muito, não me pressiono em fazer gols. Tem atacantes que se pressionam muito em fazer gol. Quem é o artilheiro do Campeonato Brasileiro? Acho que tem 9 gols. E na tabela, em que posição está? Eu prefiro ganhar e participar. Não eu fazendo gols, mas levando o Flamengo a estar no topo".

Esporte Interativo: De fora, parece que há maior sintonia entre você e a torcida. É realmente assim?

Paolo Guerrero: "Dá para sentir o calor, a força e o apoio jogando na Ilha do Urubu. Essa química, a gente não pode perder. O último jogo a gente conseguiu ganhar, além da força dos jogadores, com o apoio da torcida. Todo mundo aqui dentro do Flamengo quer ganhar os jogos, isso que importa".

E a comemoração com os dedos apontados para a galera? Surgiu como?

"Isso é do momento. Já percebi que, quando faço os gols, todo mundo faz. É divertido, legal comemorar, e espero marcar mais gols para poder comemorar".

Ainda dá para chegar no Corinthians neste Brasileiro?

"Acho que sim. Faltam muitas rodadas para jogar. Estão faltando três jogos no primeiro turno e tem todo o segundo turno para se jogar. Tudo pode acontecer. É muito cedo para falar quem vai ganhar o título".

O que falta para você, um dia, sair satisfeito do Flamengo?

"Falta ser campeão. Não quero falar desse campeonato (Libertadores), porque a gente não está mais. Tenho que falar dos objetivos do ano. E, para me sentir pleno, temos que ganhar todos esses campeonatos".

Por que há tenta confusão entre você e os zagueiros adversários? A arbitragem marca poucas faltas?

"Prefiro me concentrar no jogo, mas espero que os juízes tenham um pouco mais de olho no jogo. Faz parte do jogo, só espero que eles tenham bastante atenção. Tem faltas que tem que marcar e, às vezes, não se marca. Mas, tenho que esquecer isso, focar no Flamengo e nos jogos importantes que temos pela frente".

Por que a aptidão para as cobranças de faltas veio tarde na carreira?

"No começo do ano, a gente tenta bater faltas. Tem jogadores que ficam perto para bater. Mas, todo mundo me falava, principalmente o Zé, para pegar a bola e bater. Ele me deu a confiança e comecei a praticar bastante. Peguei o jeito dessa batida e consegui fazer uns gols".

Você é ídolo no Peru, mesmo deixando muito cedo o país. Como começou essa relação?

"Começou pelos jogos da seleção. Já tenho muitos gols marcados. Estou muito agradecido por esse carinho. Sempre me dediquei e fico muito orgulhoso por esse carinho. Agora, quero fazer a mesma coisa pelo Flamengo".

A vaga na Copa do Mundo com a seleção peruana é possível? O time está "no bolo"...

"A maior alegria do meu país seria essa. Faz muito tempo que não vamos a uma Copa (1982). Essa alegria eu quero trazer de volta. Temos que nos dedicar cada um pelo seu clube, para depois jogar pela seleção".

Mas, é mais um objetivo ou um sonho?

"É um dos meus maiores objetivos esse ano. Faltam quatro jogos, estamos perto de conseguir. Está difícil para todo mundo, o único disparado é o Brasil. Espero estar nessa Copa do Mundo. Teremos que lutar".

O que do Rio de Janeiro você não consegue mais viver sem?

"A praia, o cheiro de mar, essa vibe que você tem quando passa pela praia... O futebol também, brincar com os amigos. Muitas coisas".

E a paixão por cavalos, como começou?

"A paixão, eu tenho pelo meu pai. Ele é um apaixonado pelo turfe. Eu não tinha muita, ficava com tédio, ele me levava e eu não sabia muito o que fazer. Depois, compramos três cavalos e continuamos. Até hoje continuo essa paixão".

Coincidência ou não, a melhora do Flamengo e a subida de produção de Guerrero andaram lado a lado.

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