Flamengo é o time com mais posse de bola no Brasileirão

Diego e Everton Ribeiro no Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
GLOBO ESPORTE: Ter mais posse de bola num jogo de futebol significa o quê, na sua opinião? Controle da partida? Pode ser. Superioridade sobre o adversário? Talvez. Ter um retorno fraco, em termos de resultado? O Brasileirão 2017 demonstra que justamente essa última - improvável - opção acontece com as equipes que ficam com a bola por mais tempo. Em 152 partidas com predominância de posse para algum lado, o aproveitamento é de apenas 32,9% para quem ditou o ritmo do jogo em 16 rodadas.

O Espião Estatístico foi atrás de detalhes e levantou rankings relacionados ao tema: finalizações, gols, recordes com e sem a bola no pé. Se você acha que posse de bola simboliza domínio sobre o rival, desconstrua esse pensamento para o atual Campeonato Brasileiro.

Maior posse de bola, no recorte atual do Brasileirão, pode significar uma série de coisas: martelar o adversário quando o resultado desejado não está vindo; ter a bola e rodar sem muita objetividade, à espera de uma brecha na marcação; deixar espaços para a equipe que contragolpeia definir o jogo quando tem chance. Está raro ver uma equipe da elite propor as ações e sair com os três pontos na conta.

Para se ter uma ideia, Palmeiras e Grêmio são os recordistas de vitórias quando estão mais com a bola: cinco. Os gaúchos perderam dois jogos com mais de 50% de posse. Já o Verdão perdeu também cinco vezes mesmo sendo - em tese - superior ao longo dos 90 minutos.

O Flamengo é disparado quem mais dominou rivais: 13 vezes com mais posse, um cartel de quatro vitórias, sete empates e duas derrotas. Aproveitamento de 48,7%. Com posse inferior: 100% em três jogos.

E o grande líder Corinthians, que não perdeu uma sequer? Teve mais a redonda em sete oportunidades: três vitórias e quatro empates. Nos nove jogos restantes? Pois é, nove triunfos.


Em média de posse de bola, o Flamengo lidera, com seu meio-campo mais técnico, comandado por Diego e Éverton Ribeiro. O Rubro-Negro, curiosamente, se impõe mais sobre o adversário jogando fora de casa, com média impressionante de quase 60%. O Avaí, por sua vez, possui proposta mais reativa, o que explica os baixos números no quesito. Mas foi nesse esquema adotado por Claudinei Oliveira que os catarinenses bateram Grêmio e Botafogo como visitantes - ambos por 2 a 0 e com meros 32% de posse de bola.

Os recordes de São Paulo e Atlético-PR mostram que mais de 70% de domínio não garante um bom resultado - o Tricolor empatou em casa com o Atlético-GO, e o Furacão levou 2 a 0 da Ponte na Arena da Baixada.

O Atlético-MG possui um dos três piores rendimentos em casa da competição, com 29,6% de aproveitamento. Não por acaso, os mineiros detêm a maior média de posse de bola como mandante, com 58,4%. Mais uma amostra de que a busca incessante pela vitória tem gerado derrotas - cinco em nove partidas no Independência, no caso do Galo.

Por outro lado, o lanterna Atlético-GO costuma ter 39,6% do tempo com a bola quando atua longe de Goiás, o que não melhora seus resultados. Em sete jogos, somou apenas um ponto - justamente diante do São Paulo, em que foi recordista negativo - 28% de posse de bola.


A Ponte Preta conseguiu ficar com a bola por mais de 40 minutos diante do Bahia, barreira que ninguém mais ultrapassou até o momento. É praticamente uma etapa completa com possibilidade de buscar o gol. Acontece que o resultado da partida foi 3 a 0... para o Bahia, em pleno Moisés Lucarelli. Este é um dos jogos mais emblemáticos deste assunto. Note, ainda, que as duas outras maiores minutagens pertencem a Atlético-GO e Atlético-PR - que também saíram derrotados de campo.

Em contrapartida, o Top 3 de menores minutagens conta com posses de bola inferiores a 1/6 do tempo total de uma partida. E nenhum dos três clubes (Ponte, Chape e Atlético-GO) se arrependeu disso - foram duas vitórias e um empate.


O ranking de minutos com domínio de bola por finalizações e gols determina os mais objetivos e eficientes quando estão com a posse da bola. A Chapecoense é a equipe que precisa de menos tempo para criar uma ocasião - o que se justifica por ser a maior finalizadora do Brasileirão, com 251 arremates em 16 rodadas, média de 15,7 por partida.

Estranhou ver Santos e Corinthians no Top 3 dos que mais "enrolam" para finalizar? Ora, os dois arquirrivais possuem as melhores defesas do campeonato, com dez e sete gols sofridos, respectivamente. Como a garantia de muitos resultados passa pelo setor defensivo, não há tanta necessidade de finalizar, se o time já estiver à frente do placar.

O Timão é também um dos três clubes mais eficientes quando se propõe a ter a bola. Só perde para Grêmio (melhor ataque do Brasileiro, com 31 bolas na rede) e Fluminense - segundo ataque mais goleador do país no ano, com 87 gols - em matéria de minutos de posse por gol marcado. O Avaí, dono do pior ataque do Brasileiro, com dez gols, necessita de mais de 36 minutos com a bola para comemorar um gol.

O Flamengo é disparado quem mais dominou rivais: 13 vezes com mais posse, um cartel de quatro vitórias, sete empates e duas derrotas.

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