FBERJ quer clássicos com torcida única no Rio

Foto: André Durão
SPORTV: Atos de violência praticados por facções de torcidas organizadas, como ocorreu no sábado no estádio de São Januário, ou no domingo, no entorno do Engenhão, já estão saindo do futebol e preocupando dirigentes de outras modalidades. No caso do basquete, o Campeonato Carioca deste ano vai contar com três “times de camisa”, isto é, grandes equipes de futebol, como Botafogo, Flamengo e Vasco. Por isso, o presidente da Federação de Basquete do Rio de Janeiro (FBERJ), Álvaro Lionedes, já tem uma proposta a ser apresentada no Arbitral do campeonato, provavelmente ainda este mês.

- Na reunião do arbitral, quem decide tudo são os clubes. Mas eu, como presidente da Federação, vou propor a eles a adoção de torcida única nos clássicos  - afirmou  ao SporTV, com esperanças de que assim possa evitar brigas nos ginásios.

- Ano passado (no Estadual que teve as participações de rubro-negros e vascaínos), por recomendação do Gepe (Grupamento Especial de Policiamento de Estádios), o campeonato já havia sido disputado dessa forma. Entretanto, houve um Flamengo x Vasco, no Tijuca, em que a Raça e a Jovem, ambas rubro-negras, brigaram na arquibancada (em outubro do ano passado). Por causa do desacordo entre os clubes, o Flamengo foi campeão por WO, porque o Vasco não aceitou jogar num ginásio com torcida única.

A partir dali, os clássicos foram com torcida única, mas houve casos também em que a Justiça determinou que as partidas fossem com portões fechados e arquibancadas vazias, o que não é interessante para um esporte que deseja voltar a crescer no Rio. O dirigente da FBERJ alertou para o fato de que  em plena cidade olímpica não há sequer uma arena capaz de receber um clássico com as presenças das torcidas de ambos os times.

- O Maracanãzinho está abandonado; a Arena da Barra (que na Olimpíada foi a sede da ginástica) tem um aluguel muito caro e a Arena 1 do Parque Olimpico não dispõe de piso nem tabelas. A Arena 3 já vem sendo utilizada em projetos da Prefeitura. Assim sendo, sem uma arena, com partidas no ginásio do Tijuca, por exemplo, só caberia a torcida do clube mandante -  explicou Lionides.

Ainda sobre a questão da falta de arenas ou ginásios no Rio de Janeiro para basquete, Lionedes antecipou que os clubes cariocas vão sofrer com o mesmo problema durante o NBB, cuja abertura costuma ocorrer no fim de outubro ou começo de novembro. O Estadual de 2017 tem tudo para ser o melhor em muitos anos. Pela primeira vez, a competição contará com quatro times do NBB. Além dos três grandes, também estarão em quadra as equipes de Macaé e Campos. O Flamengo vem sendo campeão estadual seguidamente, desde 2005.

A violência das torcidas organizadas vem sendo objeto de estudo de Maurício Murad, especialista em sociologia do Esporte e com vários livros e artigos publicados sobre o tema.

- Com o caso (de sábado, nos arredores de São Januário), já ocorreram nove  mortes confirmadas no país (em conflitos ligados ao futebol). Em 2016, foram 13  confirmadas (com ligação a brigas de torcida) e mais quatro que estão em processo de investigação. Pode-se chegar a 17. Para este ano, como foram nove casos até agora, no meio do ano, e a maioria ocorre durante o Brasileirão, podemos calcular que possa acontecer 18 - analisou Murad - Estamos vivendo uma crise de autoridade geral, na política, na sociedade, na polícia, no esporte, e isso se reflete no que ocorreu (no sábado).

O Flamengo vem sendo campeão estadual seguidamente, desde 2005.

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