Zé Ricardo foge de instabilidade no Flamengo com resultados.

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
GLOBO ESPORTE: Zé Ricardo resistiu à pressão da eliminação na Libertadores. Resiste, também, à instabilidade da equipe nas primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro. Completou, no mês passado, um ano à frente do Flamengo. E, agora, é o técnico há mais tempo no cargo entre os 20 times da Série A do Campeonato Brasileiro (era Dorival Júnior, demitido do Santos na última semana), além de ter passado seus antecessores no comando do Rubro-Negro.

O melhor momento de Zé Ricardo à frente do Flamengo foi em 2017, apesar das turbulências já citadas. Neste ano, o treinador conquistou seu primeiro título pela equipe: foi campeão carioca invicto, mesmo atuando quase toda a Taça Rio com time misto por causa da Libertadores.

Ainda no primeiro ano como técnico da equipe principal do Flamengo, Zé Ricardo quase conseguiu algo maior: ficou perto de ser campeão brasileiro. Até as últimas rodadas, apesar de ter terminado na terceira posição, atrás de Palmeiras e Santos, o Rubro-Negro brigava pelo título. Ficou com 71, ao lado do vice e nove pontos atrás do campeão.

Zé Ricardo assumiu o Flamengo, depois da passagem pela equipe sub-20, em maio de 2016. E admite que não esperava ficar tanto tempo no cargo. O treinador admite que a pressão, apesar dos bons resultados no ano passado, é grande e entende que o momento de instabilidade ainda não passou, mesmo com a vitória por 2 a 0 sobre a Ponte Preta, na última quarta-feira, na Ilha do Urubu.

– A média de demissões ainda é muito alta. Não imaginava ficar aqui um ano quando entrei para ser o treinador. Por minha experiência na base, onde normalmente os técnicos ficam médio a longo prazo, não acredito que esse seja um bom caminho. Mas acredito que as coisas tendem a melhorar. Há dirigentes com cabeça pensando mais em relação a isso. Um trabalho sendo interrompido, além de ser sinal de derrota, é realmente a indicação de que toda hora tem que buscar reinício do trabalho. De começar do zero. Tanto para treinador, como para jogador. Mas sei que isso faz parte da vida do treinador. Sabia que a pressão ia ser muito grande, não ia achar que comigo ia ser diferente. Estamos passando por momento instável, de maus resultados dentro do campo. Isso tem que passar também dentro de campo – disse.

A sequência de maus resultados nas seis primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro (quatro empates, uma vitória e uma derrota) fez Zé Ricardo mexer no time. Muralha perdeu a vaga para Thiago; Willian Arão foi substituído por Cuéllar; Pará deu lugar a Rodinei; Vaz saiu para a entrada do experiente Juan.

O discurso da diretoria do Flamengo sempre foi o de não fazer “caça às bruxas”. Durante a sequência negativa, Zé Ricardo se reuniu com Rodrigo Caetano (diretor executivo), Mozer (gerente de futebol) e o presidente Eduardo Bandeira de Mello, mas não para ser demitido. Foram discutidos, ali, caminhos para a evolução da equipe.

O tempo de permanência no Flamengo fez Zé Ricardo superar recentes comandantes da equipe: Jayme de Almeida ficou de junho de 2013 a maio de 2014 (11 meses) e Dorival Júnior trabalhou de julho de 2012 a março de 2013 (oito meses). Seguindo no cargo, passará Luxemburgo, que de outubro de 2010 a janeiro de 2012 dirigiu o time.

Os números de Zé Ricardo são positivos. Ao todo, o treinador disputou 74 jogos, venceu 40, empatou 21 e perdeu apenas 13, com 118 gols marcados e 66 sofridos. O aproveitamento é de 63,51%. Dorival Júnior, por exemplo, deixou o Santos recentemente com 65% de aproveitamento.

O aproveitamento é de 63,51%. Dorival Júnior, por exemplo, deixou o Santos recentemente com 65% de aproveitamento.

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