Não é de treinador que o Flamengo precisa.

Zé Ricardo, do Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
LANCE: Por Mário Marra

Todo ano é a mesma cena. Começa o Brasileiro com 20 participantes e muitos times têm disputas diferentes. Uns ficam contentes com a Libertadores, outros tantos só não querem cair e alguns poucos disputam verdadeiramente o título.

Alguns clubes têm ideias de fórmulas de sucesso e outros, como em um quarto escuro, tateiam soluções que normalmente não dão em nada. E é incrível e irônico que sempre um, algumas vezes nem tão bem preparado assim, ergue a taça no fim da temporada.

O ano de 2016 deu indícios sobre os favoritos para a conquista de 2017. Sendo razoável, já era permitido imaginar que Palmeiras, Santos, Flamengo e Atlético MG entrariam na disputa com mais chances. Se nada desse errado nos primeiros meses do ano, eles deveriam carregar o rótulo de favoritos. Dos quatro primeiros da edição anterior é cabível esperar algo além de manutenção.

Com o campeão carioca foi assim. Ajudando a compor o cenário, Flamengo e os outros três maiores favoritos teriam que conviver com a exigência de também disputar para vencer o estadual, encarar bem a fase de grupos da Libertadores, lutar pela Copa do Brasil e disputar para valer o Brasileiro.

O Santos se deu mal ainda cedo no Paulista. O Palmeiras caiu no estadual perdendo na semifinal para um time que não era apontado como favorito. Flamengo e Galo cumpriram parte do esperado.

Na Libertadores a coisa apertou para o Flamengo, que, é bom que se diga, teve o grupo mais complicado. Os outros três não chegaram a brilhar, mas passaram com boa folga para a as oitavas.

A eliminação do Flamengo ligou o alerta para o desempenho do time em campo. É bem verdade que algumas derrotas na Libertadores se deram quando o time dava muitos sinais de que era confiável, mas as derrotas vieram.

Da direção, cobrada por não dar ao torcedor os títulos, o esperado é que saiba quais caminhos seguir. Zé Ricardo e o grupo de jogadores deveriam ser reavaliados. É assim nas empresas e deve ser assim. A avaliação é parte de nossas vidas. O que faltou? Onde foi o erro? Saber apontar os erros é um passo para conviver com os acertos. No mundo empresarial pode ser assim, mas o futebol é um jogo que questiona nossas fragilidades e cobra os erros na cara do gol adversário.

A direção flamenguista soube avaliar? Quais as conclusões foram tiradas após a eliminação na Libertadores? Zé Ricardo seria capaz de conduzir o clube ao título brasileiro? Se a direção não trocou, creio que a avaliação foi positiva.

Hoje, dia 08 de junho, metade do ano, mas início do Brasileiro, o Flamengo se vê em questionamento sobre a sequência ou não do trabalho de Zé Ricardo. Qual a garantia que uma troca pode oferecer?

Uma coisa é certa: se Zé Ricardo vai ficar, ele precisa ser bancado com mão firme pela direção do clube. Não é para dar ouvidos a gritos de arquibancada e a pedidos de conselheiros. É para bancar. Estufar o peito e bancar. Os jogadores precisam ver um treinador revestido de autoridade. Precisam ver que a direção comprou a briga dele e que a briga dele é a briga do clube.

Se é para ficar na insegurança da corda bamba, é melhor que caia rápido. Mas se cair, é menos importante o novo nome e é bem mais importante saber como conduzir o clube aos fim de ano feliz.

Zé tem métodos modernos de trabalho e trocá-lo por um treinador boleirão e atrasado dá resultado imediato e se perde na primeira situação de conflito. Zé Ricardo fez escolhas erradas? Insiste com jogadores que aparentemente rendem menos. Queiramos ou não, todos treinadores têm suas preferências. Todos têm suas cismas, manias e teimosias. Zé pode mudar e acertar ainda mais o time. Um outro treinador poderia fazer a equipe retroceder em alguns conceitos importantes vendidos pelo atual treinador. Veja o exemplo do Palmeiras que trocou o técnico e não consegue decolar.

Não é de treinador que o Flamengo precisa. Treinador o Fla já tem. É claro que existem outras opções. Entrar no quarto escuro e tatear o interruptor é sempre uma opção, normalmente é também a que demanda mais tempo e custa mais caro.

Agora ponha-se na pele do blogueiro que aqui escreve. A coisa mais fácil que tem é pedir a cabeça do treinador e andar lado a lado com o clamor do torcedor irritado. É um caminho curto para cliques e likes, mas prefiro ser fiel ao que penso. Zé Ricardo pode errar, mas os outros também errariam. No atual momento o ideal é que os jogadores tenham paz para trabalhar.

Zé Ricardo pode errar, mas os outros também errariam. No atual momento o ideal é que os jogadores tenham paz para trabalhar.

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