Uma questão de estratégia...

Foto: Staff Image / Flamengo
GILMAR FERREIRA: O Flamengo perdeu oito jogos de seus últimos dez como visitante na Copa Libertadores _ venceu apenas o desafio com o Emelec, em 2014 (2 a 1).

Mas essa derrota de quarta-feira para o San Lorenzo na noite fria de Buenos Aires, também pelo placar de 2 a 1, de virada e com gol nos acréscimos, doeu demais nos corações rubro-negros.

E com alguma razão.

Porque embora já se soubesse do quão difícil era a disputa no grupo, o mais equilibrado dos oito que compõem a competição, este era o elenco mais forte dos últimos já construídos pelo clube visando à participação no torneio.

Se computados o investimento só na aquisição de jogadores de outra nacionalidade, o gasto beira os R$ 50 milhões - fora salários.

Mas Cuellar (R$ 8 milhões), Mancuello (R$ 12 milhões), Donatti (R$ 5 milhões) e Berrío (R$ 11 milhões) não renderam o que se esperava _ ao menos até agora.

Diferentemente de Trauco (R$ 1 milhão) e Guerrero (R$ 12 milhões), jogadores que deram respostas mais próximas às expectativas.

O Flamengo fez doze aquisições em 2016, mas ainda não tem um conjunto afinado.

E tal fato minou mais uma vez a trajetória na Libertadores _ título que o clube conquistou uma única vez há 36 anos.

O acúmulo de competições (clube disputa também o Estadual, Primeira Liga, Copa do Brasil e o Brasileiro) exigiu a mescla no aproveitamento dos jogadores e essa necessidade acabou como mais um dificultador no fortalecimento do conjunto.

O Flamengo conquistou o título carioca, mas a superioridade sobre os rivais da cidade não o deixou livre de questionamentos.

Pelo contrário.

Sem Diego, sua melhor referência, contundido desde a partida contra o Atlético-PR, na primeira ronda da Libertadores, em abril, o time perdeu ofensividade e passou a se beneficiar de lampejos individuais e acasos do jogo.

É claro que não se deve sair à caça de culpados, como bem disse o presidente Eduardo Bandeira logo após a derrota na Argentina.

Nem tampouco amaldiçoar o trabalho do técnico Zé Ricardo, há um ano no cargo.

Mas claro está que o próprio Flamengo criou expectativas que não conseguiu entrega-las.

Sei que hoje há clara, manifesta e justa insatisfação com a montagem do elenco, com a eficiência dos jogadores e com o trabalho do técnico.

E se depender do sentimento do torcedor, a vassourada leva muita gente para o lixo.

Mas se for assim, pior para o próprio Flamengo.

E como em qualquer empresa seus clientes aguardam uma satisfação.

O futebol não é feito só de compra-e- venda de talentos, mas também de competitividade e estratégia.

O Flamengo exibiu alguns talentos, boa competitividade, mas há anos não tem a melhor estratégia para ao menos empatar fora de casa em jogos da Libertadores.

E pode ser este o principal problema dos times que o representa _ em alguns momentos, mais do que saber ganhar, é preciso saber não perder!

Mas claro está que o próprio Flamengo criou expectativas que não conseguiu entrega-las.

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