"Oba-oba faz parte do DNA do Flamengo", diz Tim Vickery.

Foto: Reprodução
SPORTV: Fora de casa, o Flamengo não aguentou a pressão do San Lorenzo, sofreu um gol nos acréscimos e foi eliminado da Libertadores com a derrota por 2 a 1. Com a vaga bem encaminhada antes do início da rodada, a equipe considerada por muitos analistas como uma das favoritas a chegar nas fases finais colecionou mais uma eliminação continental. O revés foi considerado por parte da torcida como "vexame", mas na opinião do jornalista Carlos Eduardo Eboli a palavra certa no momento é "fracasso". Para ele, não há como buscar culpados pela derrota, que passou mais por questões técnicas do que por falhas individuais.

- Jogou bem (em outros jogos), mas não transformou isso em resultados que significariam a classificação. Eu não classifico essa eliminação como um vexame, desta vez não houve. É um fracasso. O Flamengo fracassou em momentos importantes na fase de classificação, nos jogos fora de casa, em que ele foi até melhor que o adversário e acabou não transformando essa superioridade em gol, vitória. Em casa, ele teve autoridade. E é um time que tem experiência, que tem a capacidade de se comportar bem fora de casa, deu essa demonstração muitas vezes; no ano passado foi assim, o Flamengo foi um visitante terrível (para os adversários), e a base é a mesma. Então foi um fracasso técnico, não dá para a gente buscar culpados, caça às bruxas, sou contra isso - considerou, durante o "Redação SporTV" da quinta-feira.

Para o comentarista da CBN, Eboli crê que o trabalho feito pela diretoria rubro-negra deve prosseguir como está e pede uma análise fria da situação, mas acredita que quem comanda o Flamengo deve ter em mente que a principal competição do ano para a equipe acabou. Ele também considera que a torcida tem o direito de reclamar de uma derrota que "foge do contexto".

- A diretoria está fazendo um ótimo trabalho, foi muito elogiada. E não pode achar que por causa desse fracasso está tudo errado. A avaliação de quem está no Flamengo tem que ser mais fria; no entanto, consciente de que foi um baita fracasso. O Flamengo está fora da sua principal competição com o maior investimento já feito em sua história. Tem que virar essa página, tirar lições para continuar brigando por títulos até o final do ano. E o torcedor do Flamengo tem todo o direito de xingar, reclamar, ficar chateado porque foge do contexto.

Desde o início do século, esta é a quarta eliminação do Flamengo na fase de grupos. Em 2002, a equipe terminou na lanterna; em 2012, o Fla caiu após um gol do Emelec contra o Olímpia, no último minuto. Já em 2014, a derrota para o León em casa sacramentou o fim da linha para o Rubro-negro. A equipe ainda foi eliminada em outras três oportunidades: 2007, quando perdeu para o modesto Defensor (Uruguai); 2008, quando foi derrotada pelo America-MEX por 3 a 0 em casa e 2010, quando caiu nos gols fora para a Universidad de Chile. O jornalista Tim Vickery vê dificuldade em achar uma ligação entre as derrotas, mas acredita que um excesso de "otimismo" presente "no DNA do clube" pode ser um fator.

- Fica difícil ter uma ligação porque a gente está falando de uma sequência de times diferentes. A única coisa que podemos frisar para unir os fracassos é que o oba-oba faz parte do DNA do clube, parte de quem o Flamengo é. Faz parte até da grandeza do Flamengo. Eu acho que em vários momentos desses fracassos houve um excesso de otimismo, de oba-oba. Isso ficou mais claro na eliminação em casa para o América do México, que era um time muito perigoso mesmo tendo perdido o primeiro jogo no México - concluiu.

Por terminar a fase de grupos na terceira posição, o Flamengo terá direito a disputar a Copa Sul-Americana nesta temporada, mas terá que escolher entre priorizar o torneio continental ou o Brasileiro. Para tentar esquecer a eliminação, o Fla viaja para Goiânia em busca da vitória contra o Atlético-GO, no sábado, às 19h (de Brasília), em jogo da segunda rodada do Nacional.

O jornalista Tim Vickery vê dificuldade em achar uma ligação entre as derrotas, mas acredita que um excesso de "otimismo" pode ser um fator.

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