Flamengo se acovarda e colhe mais um fiasco na Libertadores.

Márcio Araújo em San Lorenzo x Flamengo pela Libertadores - Foto: Staff Images
RODRIGO MATTOS: Até a rodada final da fase de grupos o Flamengo tinha jogado cinco jogos da Libertadores e em todos teve mais domínio de posse de bola e mais chances de gol. Em Buenos Aires, diante do San Lorenzo, decidiu apenas se defender por 90min, cometeu uma série de erros individuais e foi eliminado. Com justiça.

Foi mais um vexame para a longa sequência de fiascos do time rubro-negro em campeonatos continentais. Desta vez, talvez, foi mais doído para os rubro-negros pois era um time com alto investimento e tido como um dos favoritos da disputa. O script de uma classificação parecia se desenhar com as três vitórias em casa em um grupo equilibrado.

Tudo mudou na Argentina. Desde o início, o Flamengo ficou trancado em seu campo sem desenvolver o jogo de passes a que estava acostumado. Tomou pressão no início e só não sofreu gol por falta de eficiência do San Lorenzo. O time argentino é limitado, mas tem gana de Libertadores como já mostrou em seu título.

Em uma bola isolada, Rodinei pegou um rebote e acertou um chute improvável no canto. O Flamengo abria uma vantagem enquanto havia um empate entre Universidad Católica e Atlético-PR, o que o classificava com folga. E decidiu se acomodar.

Logo após o gol, o time até teve alguma posse de bola, algum controle do jogo. Mas errava em excesso o básico, isto é, passe. A velocidade no contra-ataque era inócua diante dessas falhas.

No meio de campo, Márcio Araújo, Arão e Gabriel não se encontraram. Na frente, Berrío e Everton não se encontravam. Trauco dava espaços em seu setor na esquerda, e Muralha se desesperava com socos em bolas aéreas. Só quem atuava bem eram Rodinei e os zagueiros que rebatiam.

Poderia ser um tempo ruim isolado em um time que fazia boa temporada. Mas o Flamengo voltou pior, inerte, perdendo divididas. Como se estivesse assistindo ao outro jogo para esperar a classificação. A série de erros individuais era impressionante, a ponto de o time abrir mão da bola.

As trocas feitas por Zé Ricardo tiveram pouco efeito. Nem Matheus Sávio, nem Rômulo, nem Juan mudaram o cenário do time rubro-negro. Até o agravaram.

O Atlético-PR empatou no Chile, no mesmo minuto em que o rubro-negro sofreu o gol em Buenos Aires em bola aérea. Já tinham sido várias já que o time insistia em fazer faltas em torno da área. A catástrofe estava desenhada, e o Flamengo não acordava. Como diria Raul Seixas, o time rubro-negra esperava a morte chegar.

Valente, o Furacão desempatou o jogo e o time rubro-negro se entrincheirou com todos os seus jogadores atrás. Nem tocava mais a bola quando a recuperava. A torcida do San Lorenzo cantava e pressionava com seu time, limitado, mas voraz por uma classificação. Uma voracidade que nunca foi mostrada pelo time carioca.

A Catolica empatou e deu esperanças aos rubro-negros cariocas, mas o Furacão recuperou a vantagem com Carlos Alberto. Aí o Flamengo era como um condenado à espera do carrasco. E o golpe veio com Belluschi, como veio antes com Cabañas (2008) ou com o gol do Emelec (2010), fora outras desclassificações mais recentes em 2012 e 2014. Muitos méritos ao Atlético-PR que se mostrou bravo em contraponto à inércia do time do Rio.

As trocas feitas por Zé Ricardo tiveram pouco efeito. Nem Matheus Sávio, nem Rômulo, nem Juan mudaram o cenário do time rubro-negro.

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