Marluci Martins reclama de perseguição da torcida do Flamengo.

Marluci Martins tem histórico de polêmicas envolvendo o Flamengo
Foto: Screenshot / Mundo Rubro-Negro / FlaResenha
EXTRA GLOBO: Marlúcifer, mal-amada, piranha, arrombada, "véia" ridícula, candinha. Isso é o que sobra para se publicar na peneira dos xingamentos censurados pela minha boa educação. Nesses 29 anos de jornalismo, frustrei centenas de alunos em palestras das quais participei porque não tinha nenhuma história de preconceito para contar. Já tenho uma desde sábado, sobrevivi, dormi bem, mas a pulga ainda faz a orelha coçar.

Coça, principalmente, porque a agressão virtual é fomentada hoje por quem a deveria combater. Contra jornalistas esportivos, às vezes funciona assim: o departamento de comunicação do clube, ou algum de seus integrantes, acende o pavio e sai de cena com o cheiro de pólvora nas mãos. E as lava, diante do incêndio.

Tudo começou quando, no sábado, um zap cortou a paz do plantão do feriado prolongado. Uma fonte me avisava que o ortopedista Guilherme Runco estava se desligando do Flamengo porque seu superior, Márcio Tannure, havia excluído-o da equipe que operou o joelho do craque Diego. Liguei, como se faz desde a invenção do jornalismo, para os dois médicos envolvidos na polêmica. E, também, para um terceiro, o pai do Guilherme, José Luiz Runco, 34 anos de Flamengo e 16 de seleção brasileira no currículo.

Foto: Screenshot / Extra Globo / Lance!
História confirmada, matéria redonda. Mas o título que escolhi para o texto publicado no Blog Extracampo, que assino, elevou à potência máxima a testosterona da macheza virtual: 'Cirurgia de Diego abre crise no departamento médico do Flamengo'.

Não é isso? Cadê o erro? Não sei.

Logo surgiram os primeiros xingamentos no Twitter. Por que, meu Deus? Já disse, não sei. E o diretor de comunicação do Flamengo, Marcio Mac Culloch, ainda jogou lá seu palito de fósforo aceso: "Incrível como a palavra 'crise' é usada de forma banal no jornalismo esportivo. Tudo pelos cliques."

Se alguém me falasse em "clique", em 1988, quando comecei em uma redação de jornal, eu diria que era o barulho do teclado da Remington 100 usada por mim. Ou, já forçando aqui uma barra, do telex. Mas a verdade é que a linha do tempo que exclui a preponderância dos "cliques" da minha trajetória, iniciada na era pré-internet, é a mesma que entrega a idade.

Tenho 49 anos. Para um rapaz no meu Facebook, sou uma idosa ainda em tempo de recomeçar.

"Marlu - que nome lindo, hein?! Já tentei sentir raiva de você, afinal são matérias atrás de matérias atacando gratuitamente a paz do meu clube. Mas um ser humano que visivelmente não desfruta da felicidade na vida só merece minha pena e compaixão. Se você tivesse alguém que te amasse e preenchesse seu tempo, você não o perderia fazendo o mal e exercendo sua profissão de forma tão suja. Uma mulher já idosa como a senhora se submetendo a isso é sinal de que algo na sua carreira não deu muito certo. Fico triste. E para de usar meu clube pra ter seus recorrentes 5 minutos de fama. Já que você, por si só, nunca conseguiu notoriedade, sugiro buscar outra profissão. Mesmo que já esteja idosa, nunca é tarde pra recomeçar. Muito amor no seu coração. Tá faltando, né?'"

Já o Ademílson sugeriu-me nas redes sociais um macho como solução:

"Escola Sônia Abrão de jornalismo. Vai procurar um macho".

Após críticas, Marluci Martins sugeriu que torcedor abandonasse seu sonho de ser jornalista
Foto: Reprodução
Por fim, a crise médica do Flamengo, que contaminou minhas redes feito praga, ameaçou contagiar o universo feminino:

"Os jornalistas de hoje confundem matéria com fofoca. Por isso está cheio de mulheres no meio esportivo, candinhas", escreveu um outro valente de sobrenome virtual CRF.

Poderia citar algumas colegas, mas já são tantas no mundo, e essa discussão virtual não vale o preço da injustiça por um ato falho da memória. O pontapé inicial no sonho de ser jornalista esportiva foi dado pelo sucesso da Isabela Scalabrini nos anos 80. Mudou o século. E também a ferramenta. A internet, democrática por permitir a interatividade, virou fio condutor do que há de pior no mundo: o preconceito, o ódio, a intolerância.

Que ao menos sirva também para a busca de mais conhecimento. Quer saber o significado da palavra crise? Dá um clique no Google.

(Marluci Martins é jornalista esportiva há 29 anos e começaria tudo outra vez)

Por fim, a crise médica do Flamengo, que contaminou minhas redes feito praga, ameaçou contagiar o universo feminino.

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