Ferj só lucrou menos que o Flamengo com clássicos em 2017.

Bandeiras das torcidas Organizadas do Flamengo - Foto: Staff Images/ Flamengo
O GLOBO: Com mais clássicos que no ano passado, o Campeonato Carioca de 2017 reserva um sabor amargo aos grandes clubes do Rio. Com média de público de apenas 16 mil torcedores nos seus confrontos, mesmo com ingresso R$ 10 mais barato em relação ao ano passado, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco arrecadaram juntos, nas dez partidas em que se enfrentaram até agora, apenas R$ 352 mil. Para se ter ideia, em 2016, com a venda de jogos e as finais, o lucro somado dos clubes chegou a R$ 8.709, 920,90.

Tudo indica que os clubes e até a Federação de Futebol do Rio terão lucro menor na versão 2017, mesmo que ainda faltem cinco clássicos — a final da Taça Rio, amanhã, entre Vasco e Botafogo; e a semifinal (dois jogos) e a final (dois jogos) do Estadual. A receita média total caiu de R$ 1.324,128 para R$ 621.024 por clássico. E o lucro médio despencou de R$ 622.137,20 para R$ 35.336,45 por jogo, segundo levantamento feito pelo GLOBO com base nos borderôs.

Com o interesse do público até agora, é impensável que as finais do Estadual, em meio a outras competições, recuperem o prejuízo. Dificilmente farão a competição ter um balanço financeiro melhor.

— É péssimo para o produto e a rivalidade. A estratégia deveria ser escassez de jogos que gerem mais interesse — defendeu o especialista em gestão, Amir Somoggi.

Dos 10 duelos entre rivais disputados na edição atual, oito foram no Rio, seis deles com prejuízo. Em 2016, de 14 clássicos jogados, sete foram no Rio, três deles com saldo negativo. Com o novo regulamento, que prevê mais clássicos e obriga que os duelos sejam no Maracanã ou no Engenhão, a receita média despencou junto ao público, que ano passado teve média de 24 mil nos clássicos.

Até agora, os clássicos no Rio foram um péssimo negócio para os clubes e até para a Ferj, que lucrou até agora R$ 631.937. O valor só é menor do que o do Flamengo, que obteve R$ 728.569,87. O Fluminense tem se mantido no azul com R$ 74.197,01 de lucro, enquanto Vasco e Botafogo estão no prejuízo. O Vasco com R$ 62.818,47 negativos e o Botafogo com R$ - 386.584,24, compensados pelo alto aluguel do Estádio Nilton Santos este ano.

ESTÁDIOS MAIS CAROS

Entre os clubes cariocas, há um consenso: o Rio é o local mais caro para realizar os clássicos. O aluguel dos estádios e seus custos operacionais elevam a conta, sobretudo quando não há muito apelo. Com menos jogos vendidos para outros estados do que em 2016, a situação se complicou com o alto custo do Engenhão, e do Maracanã. O aluguel varia de R$ 200 mil a R$ 600 mil por jogo.

O Maracanã custou em média por clássico mais de R$ 1, 3 milhão. O Engenhão chegou até agora a R$ 596 mil, mais do que o Mané Garrincha (DF) — R$ 552 mil —, Kleber Andrade (ES) — R$ 278 mil — e Raulino de Oliveira — R$ 318 mil, os outros três palcos usados em jogos entre os grandes em 2017.

Até o Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, encareceu. O aluguel pulou de R$ 18 mil para R$ 35 mil, fora custos de operação maiores. No ano passado o custo médio era quase três vezes menor.

Outro vilão são os gastos com segurança privada, instalação de postos médicos e ambulâncias, que não são especificados em todos os borderôs. Um posto médico no Maracanã pode chegar a R$ 45 mil, enquanto em Brasília não passa de R$ 10 mil.



O valor só é menor do que o do Flamengo, que obteve R$ 728.569,87. O Fluminense tem se mantido no azul com R$ 74.197,01 de lucro.

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