Excesso de vaidade prejudica Departamento Médico do Flamengo.

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo
EXTRA GLOBO: Desde que o comando do departamento médico do Flamengo mudou, há uma crise velada entre o novo chefe do setor, Márcio Tannure, há 15 anos no clube, e José Luiz Runco, que ficou 34 anos à frente da pasta e se afastou da função no fim de 2015. A partir de então, as principais lesões da equipe, dos camisas dez Ederson e Diego, causaram imbróglios.

Depois de o filho de Runco, Guilherme, confirmar ao Blog Extracampo, do EXTRA, no sábado que não segue no departamento médico, pois foi preterido por Tannure de participar da cirurgia de Diego, a diretoria se reúne nesta segunda-feira para avaliar a situação. José Luiz Runco, que já não exercia a função de consultor, desde o ano passado, agora ficará ainda mais distante do clube.

A ideia é evitar novas rusgas. A última cirurgia feita pelo ex-médico da seleção brasileira em um atleta rubro-negro foi em 2016, uma artroscopia no joelho esquerdo de Ederson — procedimento similiar ao de Diego.

A partir daí a volta aos gramados de Ederson é cercada de mistério e dúvidas. O atleta teria até sido liberado para treinamento antes da hora no ano passado. Na ocasião, os prazos para as etapas de recuperação cabiam a Runco, mas Tannure era quem liberava os atletas. A previsão inicial era de 40 dias. Ederson não joga há nove meses.

Procurado, o Flamengo não quis mais se pronunciar sobre o conflito médico, que se baseia em diferenças de metodologia. Antes, Runco liberava os atletas por conta própria. Agora, com a nova estrutura, isso é feito por uma equipe.

Ao assumir o departamento, Márcio Tannure aceitou Guilherme Runco no clube, mas nunca o teve como preferência. Nesse período, o novo chefe trouxe de volta Gustavo Caldeira, no ano passado, para a categoria de base. O médico, que operou Diego, é especialista em cirurgia de joelho, e já havia passado pelo Flamengo em 2012 e 2013.

Guilherme Runco usou uma rede social para questionar a preferência do ex-chefe mais uma vez, neste domingo:

"Sou cirurgião de joelho e se não puder operar os atletas lesionados, não há o menor sentido em permanecer lá. Apenas para rebater os argumentos do meu ex-chefe de que há uma 'nova metodologia' no clube, como explicar que um dos cirurgiões que participaram da cirurgia é médico contratado das categorias de base do clube?", publicou, anunciando o pedido de demissão.

Antes da troca de comando médico, em 2015, a soberania de Runco no Flamengo já era questionada por jogadores, como Paulo Victor, e por técnicos como Vanderlei Luxemburgo. A mudança com panos quentes funcionou em um primeiro momento. Depois do novo capítulo da guerra de egos, a diretoria espera dar fim à novela e manter o trabalho no setor, que é considerado moderno e sem problemas de lesões.

Antes, Runco liberava os atletas por conta própria. Agora, com a nova estrutura, isso é feito por uma equipe.

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