Sem Maracanã, Flamengo já avalia outras praças e estádio próprio.

Eduardo Bandeira de Mello, Presidente do Flamengo - Foto: Gilvan de Souza / Flamengo
GLOBO ESPORTE: As reuniões entre o governo do Estado, a Odebrecht e a Lagardère acenderam o sinal de alerta – e de decepção - no Flamengo. O clube aguardava a nova licitação, anunciada em setembro pelo governo estadual, para colocar o time em campo e entrar na concorrência pelo Maracanã. Mas a mudança de rumo, que o governo estadual ainda não confirma oficialmente, coloca os franceses a um passo de assumir o antigo Maior do Mundo.

Nos bastidores do empate com o Botafogo no último sábado, dirigentes rubro-negros ainda tratavam com misto de ceticismo e inconformismo a segunda guinada do governo estadual no caso Maracanã. Segunda porque, num primeiro momento, quem ficou irritado com a troca de planos foi o Fluminense. Havia pré-acordo para a empresa CSM, parceira de Flamengo e do Tricolor, assumir a concessão do Maracanã. Mas o governo decidiu por nova licitação, o que agradava o Flamengo e desagradava o Fluminense, que tem contrato por mais 30 anos em termos considerados vantajosos financeiramente. O repasse da concessão é prejudicial ao Fla, mas é interessante para a diretoria tricolor.

Agora, a situação se inverteu. Embora o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, e seus pares ainda desconsiderem publicamente a possibilidade, a diretoria segue avaliando alternativas para o Flamengo como mandante a partir do ano que vem. Nesta segunda-feira, na reunião semanal na Gávea, os assuntos voltam à mesa: onde jogar em 2017. Há consenso de que o clube não vai voltar atrás na decisão de se afastar do Maracanã se não houver nova licitação. Em paralelo, a diretoria também estuda a construção de estádio próprio, um antigo sonho que só viraria realidade, na melhor das hipóteses, depois de 2018.

A possibilidade de rodar o Brasil fazendo partidas fora do Rio de Janeiro não está descartada. Se para o departamento de futebol é desgastante e se torna desafio para a preparação física, seria forma de faturar mais com bilheteria, incrementar o programa sócio torcedor e garantir mais receitas para investir no time. No Campeonato Carioca, porém, como não há mando de campo definido - quem indica o local de jogo nos clássicos é a Ferj -, o Flamengo deve jogar os clássicos no Maracanã.

Em evento neste domingo na Gávea para embaixadas rubro-negras, o diretor geral do Flamengo, Fred Luz, disse que ainda espera a licitação até março de 2017. Ele deixou claro: se o clube não for protagonista na operação do estádio, vai investir na construção de estádio próprio.

- O Flamengo tem que ser protagonista neste processo. Qualquer empresa que assumir buscará seu lucro em cima das receitas do Flamengo. Nosso objetivo é gerar riqueza para investir em seu time, no relacionamento com seus torcedores, não enriquecer terceiras empresas. É claro que o clube terá necessidade de empresas parceiras, mas como prestadoras de serviço e não protagonista. Neste momento, esta é a discussão que temos com o Estado. Quem paga mais de R$ 100 milhões por ano em dívida tem capacidade de investir R$ 150 milhões em um estádio. Não seria bom para o Maracanã nem para o Estado, mas o Flamengo não vai hesitar em tomar esse caminho, de construir um novo estádio, se necessário - disse Fred Luz, em declaração reproduzida no site oficial do Flamengo.

Investimento menor para a nova concessionária
Novamente, Brasília, que foi a casa rubro-negra no início da temporada, e Cariacica, onde o Flamengo teve sequência de vitórias até se despedir com derrota para o Palestino na Sul-Americana, são as opções mais viáveis para o Flamengo se o governo não desistir de repassar a concessão. Internamente, há consenso de que o Flamengo não entra no negócio se não administrar o Maracanã. Os dirigentes rubro-negros chegaram a se reunir com a Lagardère, que tem como sócia a BWA e também a Ferj. E são justamente os parceiros dos franceses que inviabilizam, até o momento, qualquer avanço nas conversas. A diretoria do Flamengo não quer entrar em negócio com sócios e dirigentes da BWA.

O clube também analisa a opção de jogar no estádio de Deodoro, que pertence ao Exército e exigiria negociação e adaptações para um campo de 20 mil lugares. Apesar do relacionamento ruim com a diretoria alvinegra – desde o caso Arão até a divisão de 90% para 10% no clássico do Maracanã -, nem nova rodada de tratativas para atuar no Engenhão está fora de cogitação.

A francesa Lagardère chegou a disputar a licitação com a Odebrecht, mas perdeu. Administradora do Castelão, em Fortaleza, e do Independência, em Belo Horizonte, a empresa já mantém contato com alguns fornecedores do Maracanã para seguir operando no estádio. Pelo contrato original, o investimento da concessionária seria acima de R$ 500 milhões. Como houve mudanças no escopo do contrato – a não demolição de complexos esportivos do estádio, por exemplo -, há acordo encaminhado para estes valores caírem para cerca de R$ 150 milhões. A Lagardère deve pagar R$ 40 milhões para assumir a concessão.

Há consenso de que o clube não vai voltar atrás na decisão de se afastar do Maracanã se não houver nova licitação.

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