Jornalista chora por Globo ainda preferir Flamengo que Palmeiras.

Alan Patrick comemorando gol durante Palmeiras x Flamengo - Foto: Taba Benedicto / Fotógrafo
COSME RIMOLI: Paulo Nobre era aconselhado diariamente.

Não deveria assinar com o Esporte Interativo e continuar com a Globo nos Brasileiros de 2019 a 2024. O medo de seus assessores mais próximos era de represália. Ou seja, sumir da TV aberta. Enquanto a emissora mostraria muito mais jogos do Corinthians e do São Paulo, valorizando seus patrocinadores, seus jogadores, divulgando seus nomes para o exterior. Notadamente os mercados norte-americanos e asiáticos, que mais interessam.

Nobre que aceitasse os jogos no Sportv.

Mesmo se a proposta fosse mais baixa.

Enquanto isso, conselheiros nas estreitas alamedas do Palestra Itália imploravam que ele desse o troco. Virasse as costas para a emissora carioca que cansou de tratar o Palmeiras como 'derrubador de Ibope'. E preferia transmitir jogos dos corintianos e são paulinos. Mas Nobre é empresário. Não queria o 'troco pelo troco'. Desejava muito dinheiro.

Ao longo dos seus quatro anos de poder, foi percebendo como funciona a engrenagem da transmissão. Recebeu o clube sem 75% do dinheiro da Globo, já abocanhado pela administração Arnaldo Tirone. E foi notando o óbvio do óbvio. A fidelidade da Globo em relação ao Corinthians e Flamengo se tornou proporcional à força das equipes que estes clubes montavam.

Acabou a obrigação pelos dois terem implodido o Clube dos 13.

Com o acúmulo de bons resultados e conquistas do Palmeiras, o clube se tornou cada vez mais presente na tela da dona do monopólio do futebol neste país. Mesmo com Paulo Nobre não se posicionando na guerra entre Globo e Esporte Interativo/bilionária Turner. O dirigente cansou de dizer que não teria pressa em escolher o lado que o clube ficaria a partir de 2019 na tevê a cabo.

Foi adulado e detestado dos dois lados.

Com ouvidos de mercador, fingia não perceber.

Com a conquista praticamente garantida do Brasileiro de 2016, acreditou que era hora de se posicionar. Até porque em relação a este assunto, ele está completamente de acordo com seu sucessor, Mauricio Galiotte. E fixou um preço para as luvas.

Nobre já estava irritado com a Globo. Em fevereiro, ele exigiu que a emissora mudasse sua maneira de oferecer o dinheiro de transmissão. Ela juntava tevê aberta e tevê fechada. Desta vez, exigiu a separação. Foi algo importante e que deixou a mais clara das comparações.

Os valores ficaram escancarados. A Globo oferecia por temporada cerca de 1,1 bilhão para transmissão de todas as partidas de uma edição do Brasileirão. São R$ 940 milhões na TV aberta e R$ 98 milhões para a TV fechada (SporTV). A proposta do Esporte Interativo é para TV fechada, no valor de R$ 550 milhões, sendo assim, cinco vezes superior à da Globo (82% maior) pelos mesmos direitos de transmissão.

Mas mesmo parecendo ilógico, clubes importantes se apressaram em aceitar o que a Globo ofertava. Corinthians, São Paulo, Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Cruzeiro, Atlético Mineiro, América Mineiro, Grêmio, Sport, Vitória, Chapecoense, Avaí, Náutico, Goiás, Londrina e Santa Cruz.

O Esporte Interativo precisava do Palmeiras. Tinha causado profundo estrago no poderio da Globo. Havia conquistado Atlético Paranaense, Coritiba, Figueirense,Internacional, Ponte Preta, Santos, Bahia, Ceará, Sampaio Corrêa, Criciúma, Joinville, Paysandu, Paraná e Fortaleza. Apesar de inflacionar o mercado, oferecendo dividir R$ 550 milhões, não conseguiu sequer um clube entre os cinco de maiores torcidas do país. O que ocasionou a queda de seu presidente Edgar Diniz, autor intelectual da rebelião contra a Globo.

Assim, chegou a proposta de R$ 100 milhões só de luvas para Paulo Nobre. Fora a cota que o Palmeiras dividirá entre os R$ 550 milhões com os outros clubes que se acertaram com a Turner. Uma oferta digna para o clube que havia vencido a Copa do Brasil em 2015 e é o virtual campeão brasileiro de 2016. Ele procurou a Globo para ver se haveria equiparação da proposta. Não houve.

Nobre e Galiotte resolveram comprar a briga juntos.

Sabem que, com a nova arena, com o dinheiro da Crefisa, do Avanti, da transmissão da Globo para a tevê aberta e mais o que o Esporte Interativo oferece, há a tranquilidade para montar grandes equipes. A começar com a de 2017, que vai brigar pela Libertadores, título que só foi conquistado em 1999.E aí, não há como a Globo virar as costas.

Uma das provas da tese de Paulo Nobre está na grade de programação da TV Globo no Rio de Janeiro. Embora joguem Flamengo e Santos no Maracanã, com o time da Gávea podendo chegar à segunda colocação no Brasileiro, a emissora mostrará aos cariocas o Palmeiras. A sua partida contra a Chapecoense. Isso anos atrás seria inimaginável. Mas a emissora decidiu mostrar para o Brasil todo a mais do que provável festa de campeão do time paulista.

Não haveria cabimento mostrar o segundo.

E desprezar o campeão.

Por isso, Paulo Nobre está tranquilo.

Desprezou os conselhos amedrontados dos seus assessores.

E acredita que fechou um contrato excelente com o Esporte Interativo.

Deixará os cofres cheios com o dinheiro norte-americano.

Sem o menor temor de represálias.

Ele tem certeza que a emissora carioca terá de rever suas preferências.

O bilionário dirigente faz uma aposta.

A Globo será obrigada a se render.

Com a força do Palmeiras, acabarão os privilégios a Corinthians e Flamengo.

E a amaldiçoada fama de 'derrubador de Ibope' que dominava o Palestra Itália...

Embora joguem Flamengo e Santos no Maracanã, a emissora mostrará aos cariocas o Palmeiras.

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